1 de fevereiro de 2017

Temas em Análise nº 124: Em 2016, a crise industrial perde força

Em dezembro, a queda da atividade industrial mostrou arrefecimento, anotando leve recuo de 0,1%, ante o mesmo mês de 2015, cuja base é bastante fraca (ver tabela abaixo). Foi a queda menos intensa desde março de 2014 (-0,4%). Durante o ano passado, o recuo desacelerou para 6,6%, frente à redução de 8,3%, registrada em 2015.

Também houve perda de força da contração da atividade industrial no acumulado de 12 meses, que apresentou contração de 6,6%, ante 7,5% observado em novembro, na mesma base de comparação.

Na comparação com dezembro do ano passado, 2 categorias continuaram em queda: bens intermediários (-0,5%), bens semiduráveis (-3,6%). Em sentido oposto, houve expansão da produção de bens duráveis (4,8%) e de bens de capital (17,3%), provavelmente direcionados à atividade agrícola.

 

Vale destacar que, no comparativo anual, três categorias reduziram a intensidade das quedas anuais: bens de capital, bens duráveis e semi e não duráveis, cujas retrações alcançaram a 11,1%, 14,7% e 3,7% em 2016, frente a reduções de 25,5%, 18,7% e 6,7%, observadas no ano anterior. Apenas a categoria de bens intermediários intensificou levemente a queda que, durante o mesmo período, passou de 6,3% para 5,2%.

Em síntese, a produção industrial fechou o ano passado sinalizando arrefecimento de sua contração, ainda que este esteja muito influenciado pela base de comparação mais fraca de 2015. A expansão observada em certos segmentos reflete o início da retomada das exportações, cuja continuidade está atrelada fortemente à cotação futura do dólar. De qualquer forma, na medida em que o Banco Central prossiga reduzindo a taxa de juros e a confiança dos empresários se restabeleça ao longo do ano, pode-se esperar um leve crescimento da indústria para 2017.