9 de fevereiro de 2017

Temas em Análise nº 125: Inflação inicia 2017 com forte queda

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o índice oficial de inflação, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), registrou alta de 0,38% em janeiro, acelerando levemente em relação a dezembro (0,30%).

Contudo, foi a menor alta para o mês desde 1979, surpreendendo os analistas de mercado, que projetavam maior elevação. Esse resultado contribuiu para reduzir fortemente a inflação no acumulado em 12 meses, que passou de um aumento de 6,29%, observado em dezembro, para 5,35% (ver tabela abaixo).

Essa ligeira alta mensal se explica fundamentalmente pelos aumentos dos preços da alimentação, devido a fatores puramente sazonais, do transporte, devido aos reajustes das tarifas de ônibus urbanos e do grupo habitação.

No caso do Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), na passagem de dezembro a janeiro, houve desaceleração de 0,83% para 0,43%, respectivamente. O recuo da inflação medida por esse outro indicador foi ainda mais intenso, na comparação com o primeiro mês de 2016 (1,27%).

Assim, no acumulado em 12 meses, o IGP-DI recuou de 7,18% em dezembro para 6,02% em janeiro, refletindo, mais uma vez, a intensa descompressão dos preços das matérias primas, medidos pelo Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), seu principal componente, que diminuiu de 7,73% para 6,37%, respectivamente.

Essa descompressão pode ser explicada fundamentalmente pelo comportamento dos preços das matérias primas agrícolas que, na mesma base de comparação, de acordo com o IPA AGRO, passaram de uma alta de 9,91% para 4,94%, respectivamente.

Em síntese, a inflação, medida em termos anuais (12 meses), continua mostrando forte desaceleração, que deverá prosseguir ao longo do ano, devido à perspectiva de safra recorde, que seguirá exercendo pressão baixista sobre os preços de alimentos, ao ainda elevado grau de ociosidade e ao recuo da taxa de câmbio.

Esse comportamento mais benigno da inflação, que poderá, depois de muitos anos, terminar 2017 bem próxima da meta (4,5%), reforçará a disposição do Banco Central a realizar cortes de juros mais agressivos durante os próximos meses, preparando a economia brasileira para a retomada do crescimento.