13 de março de 2017

Temas em Análise nº 128: Inflação segue recuando fortemente em fevereiro

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o índice oficial de inflação, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), registrou alta de 0,33% em fevereiro, desacelerando em relação a janeiro (0,38%). Foi a menor taxa para o mês desde o ano 2000.

Esse resultado contribuiu para intensificar a redução da inflação no acumulado em 12 meses, que passou de um aumento de 5,35%, observado em janeiro, para 4,76% (ver tabela abaixo).

Os alimentos foram a principal causa dessa nova desaceleração, apresentando deflação de 0,45% em fevereiro, refletindo as quedas registradas no atacado.

No caso do Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), entre janeiro a fevereiro, também houve forte arrefecimento, ao passar de uma alta de 0,43% para elevação de 0,06%, respectivamente.

Assim, no acumulado em 12 meses, o IGP-DI recuou de 6,02% em janeiro para 5,26% em fevereiro, refletindo, novamente, a apreciável descompressão dos preços das matérias primas, medidos pelo Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), seu principal componente, que diminuiu de 6,37% para 5,35%, respectivamente.

Essa descompressão pode ser explicada fundamentalmente pelo comportamento dos preços das matérias primas agrícolas que, na mesma base de comparação, de acordo com o IPA AGRO, passaram de uma alta de 4,94% para 2,17%, respectivamente. O aumento dos preços das matérias-primas industriais, medido pelo IPA IND, foi levemente menor em fevereiro (642%), em relação ao anotado no mês anterior (6,72%).

Em síntese, a inflação, medida em termos anuais (12 meses), segue apresentando forte desaceleração, que deverá prosseguir ao longo do ano, devido à perspectiva de safra recorde, que continuará diminuindo o preço dos alimentos, além do elevado grau de ociosidade e da acomodação da taxa de câmbio aos patamares atuais.

A perspectiva do IPCA para os próximos meses é de cair abaixo da meta anual de inflação (4,5%), o que poderá reforçar a intensificação da redução da taxa básica de juros por parte do Banco Central durante os próximos meses, o que poderá abreviar a recuperação da economia brasileira.