14 de novembro de 2017

Temas em Análise nº 154: Inflação de outubro continua baixa apesar de leve aceleração

Em outubro, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que registra a inflação “oficial”, aumentou em 0,42%, acelerando em relação à elevação registrada em setembro (0,16%), apesar de ter ficado pouco abaixo do consenso de mercado (0,48%).

Destarte, no acumulado em 12 meses, que representa aproximadamente o resultado anual, o IPCA continuou acelerando levemente, passando de 2,54% na leitura anterior, para 2,70% (ver tabela abaixo). Ainda assim, esta última alta é a menor desde 1998 (1,44%).

De todo modo, essa aceleração se explica novamente pela menor queda dos preços (deflação) do segmento de alimentação e bebidas e pelos aumentos de preços administrados, desta vez no segmento de habitação, com destaque para os reajustes das tarifas de energia elétrica (bandeira vermelha 2) e gás de botijão.

No mesmo mês, o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), que corresponde a uma medida mais abrangente da inflação, aumentou levemente em 0,10%, desacelerando frente ao resultado observado em setembro (0,62%).

Assim, o resultado acumulado nos últimos 12 meses desse indicador continuou apresentando queda, que, entre setembro e outubro praticamente não se alterou (-1,04% e -1,07%, respectivamente), devido à menor intensidade da deflação das matérias primas agrícolas (IPA AGRO), refletindo o arrefecimento do “efeito safra”.

Em síntese, após forte desaceleração em 12 meses, a inflação “oficial” apresenta leve propensão à alta, em decorrência dos reajustes de alguns preços monitorados. Apesar disso, devido aos efeitos defasados dos menores preços de matérias primas agrícolas, mantém-se a expectativa de que o IPCA deverá terminar o ano muito próximo ao limite inferior da meta de inflação anual (3,0%).