22 de junho de 2018

Confiança do consumidor Brasileiro surpreende e não cai em julho

O Índice Nacional de Confiança (INC) da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) marcou 74 pontos em junho, dois a mais sobre maio. A variação ficou dentro da margem de erro (três pontos). A pesquisa foi feita em todas as regiões brasileiras entre 1º e 13 de junho. “Surpreendeu. Esperávamos uma queda da confiança em função da paralisação dos caminhoneiros e do maior pessimismo da indústria e do empresariado atualmente. A piora não se concretizou porque, quando a sondagem foi feita, o movimento tinha terminado e a rotina de consumo do brasileiro havia voltado ao normal”, comenta Alencar Burti, presidente da ACSP. “Mesmo assim, o INC segue em patamar muito baixo”, acrescenta ele.

O índice varia entre zero e 200 pontos; o intervalo de zero a 100 é o campo do pessimismo e, de 100 a 200, o do otimismo. Em relação a junho de 2017, a confiança subiu seis pontos, puxada pela queda dos juros e pelo alongamento dos prazos para pagamento, abrindo espaço para o consumidor adquirir bens duráveis, postergados durante a crise econômica.  

“O INC de junho traz dois dados positivos referentes ao mercado de trabalho, acompanhando a ligeira melhora da taxa de desemprego. Mesmo assim, segue no campo pessimista”, frisa Burti, que também preside a Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp).  

Ele se refere à parcela de 55% dos entrevistados que avaliaram a economia de sua região como fraca, contra 58% em maio e 53% há um ano. Os que avaliaram a economia regional como forte somaram 24% em junho, ante 21% em maio e 23% há um ano.

Em junho, 56% dos entrevistados estavam inseguros no emprego, contra 59% no mês anterior e também há um ano.

O número médio de pessoas conhecidas dos entrevistados que perderam o emprego foi 4,87 em junho (5,03 no mês anterior e 5,02 em junho passado).

Regiões

Em junho, o grupo de regiões Norte/Centro-Oeste seguiu o menos pessimista, com 84 pontos, contra 82 em maio e 70 em junho do ano passado. A melhora decorre da agricultura, beneficiada pela quebra da safra argentina, que fez subirem as cotações de soja e milho. A crise argentina também ajudou o Sul, que registrou INC de 77 pontos, estável sobre maio (78), mas com aumento de 15 pontos em relação a junho de 2017.  

A confiança do Sudeste em junho foi de 73 pontos, elevação de sete pontos no contraste com maio e também com junho passado. O resultado foi puxado pela safra de cana e pela melhora da indústria de um ano para cá.

Na contramão, no Nordeste o indicador caiu de 73 pontos em maio para 69 em junho, possivelmente afetado pela alta dos alimentos. O resultado ficou estável frente a junho passado (74).

Classes

A classe C continua a menos pessimista, com 75 em pontos (73 em maio e 70 há um ano), estimulada pelas melhores condições para comprar produtos a prazo, como eletrodomésticos.

O INC do grupo AB foi de 70 pontos em junho, elevação de sete pontos ante maio e de nove na comparação anual. Uma hipótese é a melhora de condições de crédito para veículos e outros itens de maior valor.

Já a confiança da classe DE foi de 73 pontos (76 em maio e 70 há um ano), oscilando dentro da margem de erro.

Metodologia

O INC é elaborado pelo Instituto Ipsos a partir de 1.200 entrevistas pessoais e domiciliares, realizadas mensalmente em 72 municípios no Brasil inteiro, com amostra probabilística, com cota no último estágio de seleção e margem de erro de três pontos percentuais, representativa da população brasileira de áreas urbanas de acordo com dados oficiais do IBGE (Censo 2010 e PNAD 2014).