
O Índice de Confiança do Consumidor Paulista (ICCP), elaborado pela PiniOn para o Instituto de Economia Gastão Vidigal da Associação Comercial de São Paulo (IEGV/ACSP), atingiu 100 pontos, alta de 4,2% em relação a maio, retornando ao patamar considerado neutro após dois meses consecutivos abaixo desse nível.
O movimento foi acompanhado por uma melhora generalizada entre todas as classes sociais e perfis de consumidores, refletindo um ambiente mais favorável para o consumo e para o planejamento financeiro das famílias: "O retorno do índice ao nível neutro mostra que os consumidores paulistas voltaram a enxergar o cenário econômico com mais equilíbrio. A melhora do mercado de trabalho e da renda continua sustentando essa recuperação da confiança", afirma Ulisses Ruiz de Gamboa, economista da Associação Comercial de São Paulo.
Além da melhora na percepção sobre a situação financeira atual, a pesquisa registrou avanço ainda mais intenso nas expectativas para renda e emprego nos próximos meses, acompanhado por maior sensação de segurança no mercado de trabalho.
Na prática, essa mudança de percepção já influencia o comportamento do consumidor. A pesquisa aponta crescimento da intenção de adquirir bens de maior valor, como imóveis e automóveis, além de bens duráveis, como eletrodomésticos, e aumento da disposição para investir.
Capital otimista, mas nem tanto
Na capital paulista, o Índice de Confiança do Consumidor da Cidade de São Paulo (ICCSP) também apresentou recuperação, avançando 7,8% em relação a maio e 4,3% na comparação anual. Apesar da melhora, o indicador permaneceu em 97 pontos, ainda abaixo da linha que separa o pessimismo do otimismo.
Na cidade de São Paulo, os consumidores também demonstraram maior confiança em relação à renda, ao emprego e à compra de bens duráveis. A diferença em relação ao restante do Estado ficou por conta da intenção de adquirir bens de maior valor, que apresentou recuo entre os paulistanos.
Para Gamboa, o bom desempenho do mercado de trabalho continua sendo o principal fator de sustentação da confiança, mas o cenário ainda inspira cautela: "O avanço da confiança é positivo para o comércio e os serviços, especialmente porque estimula a intenção de consumo. No entanto, a recuperação ainda enfrenta obstáculos importantes, como o elevado endividamento das famílias, os juros altos e a desaceleração da atividade econômica, fatores que podem limitar esse movimento nos próximos meses."
Os resultados reforçam a percepção de que a geração de emprego, o aumento da renda e os programas de transferência de recursos continuam sustentando o consumo das famílias. Ao mesmo tempo, indicam que a consolidação dessa recuperação dependerá da evolução do crédito, da inflação e das condições macroeconômicas ao longo do segundo semestre.
Sobre a ACSP
Fundada em 1894, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) é a maior associação empresarial do Brasil, com 132 anos de história e mais de 15 mil associados. Sob a presidência de Alfredo Cotait Neto, maior liderança do associativismo empresarial brasileiro, a entidade é a principal voz do empreendedor nacional na defesa da livre iniciativa.
A ACSP tem protagonismo direto na construção do marco legal do empreendedorismo no país: foram criados ou impulsionados pela ACSP o Estatuto da Micro e Pequena Empresa, o Simples Nacional, o Microempreendedor Individual (MEI), a Lei da Liberdade Econômica, o Impostômetro e, em parceria com a CACB, o Gasto Brasil.
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Por ACSP - 04/07/2026