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Infraestrutura, previsibilidade e eficiência foram apontadas como fatores determinantes para que o Porto de Santos mantenha sua posição como principal concentrador de contêineres da América do Sul. Os temas estiveram no centro do seminário promovido pelo Comitê de Usuários dos Portos e Aeroportos do Estado de São Paulo (COMUS), da São Paulo Chamber of Commerce, braço de internacionalização da ACSP, realizado em 4/8.
Reunindo especialistas para discutir o futuro da logística portuária na sede da Associação Comercial de São Paulo, o seminário contou com a participação da Autoridade Portuária de Santos (APS), representada pelo diretor de Operações, Edilberto Mendes, e pelo superintendente de Operações Portuárias, Márcio Kanashiro. Também estiveram presentes Angelino Caputo, da Associação Brasileira de Terminais e Recintos Alfandegados (ABTRA), e Fabrício Betto, coordenador operacional aduaneiro (COANA/RFB).
Na abertura do evento, o coordenador do COMUS, José Cândido Senna, destacou que o planejamento de longo prazo é indispensável para acompanhar o crescimento da movimentação de cargas. "Precisamos ter infraestrutura e previsibilidade para as operações e o estudo técnico realizado e apresentado neste encontro mostra o cenário para 2035", destacou.
O estudo sobre a demanda e a capacidade logística do Porto de Santos para os próximos dez anos, apresentado no primeiro painel por Ricardo Molitzas, do Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo (SOPESP), indica que, mesmo com a conclusão dos investimentos programados, a demanda deverá se aproximar do limite da capacidade operacional em 2035, especialmente para a movimentação de granéis, mantendo pressionados os acessos terrestres na margem direita do porto.
Mesmo considerando as obras de infraestrutura já previstas e em execução, o levantamento aponta que a expansão da capacidade precisará continuar além desse horizonte para acompanhar o crescimento esperado da movimentação. A análise levou em conta cargas nos perfis granel sólido e agrícola de exportação e importação, granel sólido mineral, granel líquido e carga geral conteinerizada.
"Os dados precisam ser acompanhados para saber se realmente vão se concretizar. Não será um estudo parado, mas que permitirá ao longo do tempo entender se estamos próximos ou não do previsto", pontuou Molitzas.
Ocupação do porto estará perto do limite em 2035
Com base nos estudos, as projeções mostram que, a partir da avaliação de acesso aquaviário em 17 trechos, foram construídos seis cenários para o Porto de Santos, levando em conta a variação de calado entre 15m e 17m. No limite, as operações passariam de 1.608 navios por mês em 2025 para 2.226 em 2035. Os movimentos diários no canal do porto elevariam de 1.076 para 1.249 no período de 10 anos, quando a ocupação do porto atingiria 51,88% (hoje está em 43,24%). É preciso lembrar que existe consenso de que o máximo de ocupação para um porto operar bem é de 60%.

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Representantes do setor marítimo reforçaram que a competitividade de Santos depende da eficiência operacional, da redução de entraves logísticos e da previsibilidade das operações. Também foi destacado que a reforma tributária poderá ampliar em até 20% o volume das operações de comércio exterior, aumentando a necessidade de investimentos em infraestrutura. "A reforma trará mais pressão sobre o volume de operações no porto e esse é um ponto de atenção para a logística", destacou Danilo Ramos, da Santos Brasil.
Especialistas também discutiram como a evolução do Hub-and-Spoke em Santos, a necessidade da integração logística, o uso de tecnologia, inteligência operacional e a maior participação do transporte ferroviário podem ampliar a produtividade, otimizar a gestão de cargas consolidadas e reduzir a pressão sobre a infraestrutura existente enquanto os projetos estruturantes são concluídos.
"Os armadores escolhem seus portos considerando eficiência, previsibilidade e custo. Se queremos que Santos continue sendo um hub, precisamos ter eficiência e menor pegada de carbono. A cabotagem demonstra seu valor ao oferecer operações programadas, previsibilidade e menor impacto ambiental, mas também depende de infraestrutura adequada e espaço para crescer", enfatizou Luís Resano, da ABAC.
Entra em cena a descarbonização
A questão ambiental foi mais um tema com destaque no seminário. Autoridades portuárias se mobilizam para colocar em prática regras para comercialização de misturas de combustíveis alternativos e colocar as operações alinhadas com a questão da pegada de carbono.
De acordo com Paula Pereda, especialista da USP, não existe antagonismo entre produtividade e sustentabilidade, sendo possível transportar mercadorias de modo mais eficiente do ponto de vista ambiental. "É necessário que a infraestrutura em desenvolvimento esteja pronta para receber a regulação internacional. Também precisamos de uma regulação nacional e não temos como falar de transporte de forma isolada. É fundamental uma proposta mais integrada dos modais dentro das situações que estão sendo colocadas no mercado de carbono", afirmou.Também mencionou que no campo da descarbonização existem muitas indefinições no arcabouço de certificação para combustíveis alternativos.
Para Jefferson Satyro, CEO da UNICCA, a logística integrada precisa ser vista como uma estratégia de sustentabilidade e competitividade. A conexão entre origem, ferrovia e porto, apoiada por tecnologia e inteligência operacional, permite otimizar o fluxo de cargas, reduzir a pressão sobre a infraestrutura de Santos e diminuir as emissões de carbono. "A cada duas locomotivas com 50 contêineres retiramos cerca de 100 caminhões das rodovias."
A evolução na verificação de gases de efeito estufa (GEE) na navegação segue a arquitetura regulatória de descarbonização da IMO (Organização Marítima Internacional) e está baseada no dado de consumo de combustível reportado pelo navio. Luciana Suman, da MARMEC, destacou a meta ambiciosa de zerar até 2050 as emissões e disse que os dados têm papel preponderante. "As medidas são baseadas em dados e dependem da acurácia do consumo reportado para produzir os efeitos reais. Dados frágeis distorcem indicadores e penalizam quem reportar corretamente, comprometendo toda a credibilidade do sistema", alertou.
Corredor Verde Santos-Roterdã-Oslo
O Seminário também dedicou uma parte para falar sobre os preparativos do corredor verde entre os portos de Santos, Roterdã (Países Baixos) e Oslo (Noruega). Segundo Mirte Ruese, do Consulado Geral dos Países Baixos em São Paulo, o acordo entre Mercosul e União Europeia reforça a importância e o compromisso com o comércio aberto e sustentável, estando a Europa comprometida a atingir a neutralidade até 2050. “O Brasil reúne condições para liderar a transição energética tendo em vista sua matriz derivada de fontes renováveis. É o parceiro ideal para a construção de corredores marítimos descarbonizados, essenciais para as questões climáticas”, destacou.
"Podemos desenvolver soluções que possam servir de exemplo para outras regiões do mundo. As metas globais pressionam o setor a acelerar a transformação e os corredores verdes podem funcionar como plataforma para reduzir riscos climáticos. A disponibilidade de combustíveis alternativos precisa ser enfrentada, mas existe vontade política para avançar e a cooperação entre os países mostra que estamos diante de oportunidade de desenvolvimento econômico e não apenas ambiental", afirmou Daniel Schmidt, da Embaixada da Noruega em Brasília.
A produção, distribuição, estocagem e abastecimento de navios com combustíveis de fontes renováveis foi abordada no seminário com as análises de Camilo Adas, da Be8 Energy, e Bruno Takano, gerente de Sustentabilidade da APS. Os dois já são presenças confirmadas no próximo seminário do COMUS, programado para o dia 29 de setembro. Acompanhe em nossos canais de comunicação.
Por ACSP - 05/08/2026