O presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Alfredo Cotait Neto, criticou os impactos da chamada “taxa das blusinhas” sobre o varejo e a indústria nacionais durante participação no painel “São Paulo Cidade dos Investimentos”, realizado nesta quarta-feira (13), no Innovation Week, na Arena Mercado Livre Pacaembu, na capital paulista.
Mais cedo, o líder do associativismo no Brasil e também presidente da Confederação das Associações de Comércio do Brasil (CACB), já havia emitido uma nota de repúdio contra a Medida Provisória nº 1.357/2026 e a Portaria MF nº 1.342/2026, que zeram o Imposto de Importação sobre remessas internacionais de até US$ 50, medida conhecida como “taxa das blusinhas”.
A entidade afirma que a decisão favorece plataformas estrangeiras em detrimento do pequeno comércio nacional, ao criar uma concorrência considerada desleal para empresas brasileiras que recolhem tributos, geram empregos e sustentam a cadeia produtiva do varejo e da indústria: “Trata-se, em essência, de subsidiar o concorrente estrangeiro com o dinheiro que o Estado deixa de cobrar dele, à custa do pequeno comerciante brasileiro, que recolhe seus tributos integralmente”, afirma a nota.
No mesmo documento, a CACB acusa o ainda o governo federal de agir por conveniência eleitoral ao reverter uma política que havia sido aprovada e sancionada anteriormente: “Tributo é matéria de Estado, não estratégia de campanha”.
Durante sua apresentação, Cotait reforçou ainda que a medida afeta diretamente o varejo nacional, setor que já enfrenta profundas transformações provocadas pelo avanço do comércio eletrônico e pelas mudanças no comportamento do consumidor.
Painel “São Paulo - Cidade dos Investimentos” – Acompanhado no palco de Rafael Cervone, Presidente do CIESP, Alfredo Cotait abordou outros temas ligados à competitividade e aos investimentos em São Paulo e no Brasil, como segurança jurídica, segurança pública, reforma tributária e custos trabalhistas.
Ele criticou a complexidade do novo modelo tributário em discussão no País. Segundo ele, o setor produtivo esperava simplificação do sistema, mas avalia que a reforma pode ampliar dificuldades operacionais para as empresas. “O varejo esperava simplificação. Mas a reforma tributária vem trazendo ainda mais complexidade”, declarou.
Outro ponto destacado foi o debate sobre a jornada de trabalho 6x1. Cotait reforçou que o setor empresarial não é contrário à discussão sobre mudanças nas relações trabalhistas, mas defendeu que eventuais custos não sejam integralmente transferidos ao empreendedor: “O empresário não pode arcar sozinho com mais esse custo. Estamos falando de quem investe, gera renda e mantém empregos”, disse.
Por ACSP - 13/05/2026