CACB e associações comerciais articulam ofensiva no Senado por PEC do Trabalho Flexível

Nos bastidores, a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), presidida por Alfredo Cotait Neto, começou a circular entre parlamentares uma CARTA-MANIFESTO com forte apelo popular e foco na liberdade de negociação entre empregado e empregador. O texto, subscrito por mais de 1,7 entidades intitulado “Uma carta para o Brasil que acorda cedo”, contrapõe o modelo de flexibilização à proposta de redução uniforme de jornada debatida no Congresso e defende que o trabalhador possa escolher quantas horas e dias quer trabalhar.

A estratégia da entidade é reposicionar o debate trabalhista sob a ótica do consumo, do custo de vida e da renda variável de trabalhadores do comércio e serviços — setores que concentram milhões de profissionais remunerados por comissão, gorjeta ou sazonalidade.

“A vida real não funciona em modelo único. Há trabalhadores que querem mais tempo livre, outros precisam trabalhar mais em determinados períodos do ano para reforçar a renda. O Brasil precisa confiar mais na capacidade de escolha das pessoas”, diz a carta assinada pelo líder do associativismo.

Segundo Cotait, a entidade vê risco de efeitos colaterais em propostas consideradas excessivamente rígidas. Entre as preocupações do setor estão aumento de custos operacionais, perda de produtividade e impactos indiretos sobre preços ao consumidor.

“O debate precisa olhar para a economia real. Se você engessa completamente a organização do trabalho, isso inevitavelmente aparece no custo de produtos e serviços. E quem paga a conta é o consumidor”, afirma.

A movimentação ocorre num momento em que o Senado intensifica discussões sobre modelos alternativos de jornada e ganha apoio sobretudo entre setores ligados ao varejo, alimentação, turismo, comércio e serviços — segmentos que operam com forte sazonalidade e horários estendidos.

A aposta das entidades empresariais é transformar a discussão trabalhista numa agenda econômica de maior alcance, vinculando flexibilidade a geração de renda, empreendedorismo e preservação de empregos.

A carta-manifesto termina pedindo “aos Senadores e Senadoras que votem pela modernização do trabalho. Votem pela PEC 12, a do Trabalho Flexível, e deixem o brasileiro escolher o próprio caminho. Porque quando o brasileiro tem liberdade para decidir, ninguém segura este país”.

Nos próximos dias, a expectativa é de que o tema avance nas negociações políticas e se torne um dos pontos de maior tensão entre representantes do setor produtivo, centrais sindicais e governo.

Por ACSP - 09/06/2026