
Em linha com a projeção da grande maioria dos analistas de mercado, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou a redução da taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual, fixando-a em 14,25% ao ano. A decisão reflete um ambiente macroeconômico complexo e de transição, onde a necessidade de conter as pressões inflacionárias imediatas foi contrabalançada pelos sinais visíveis de desaceleração da economia doméstica.
O país atravessa um período de juros elevados para combater a resistência dos preços. Apesar de a inflação corrente haver superado o teto da meta e de o mercado enfrentar um cenário de expansão fiscal, mercado de trabalho resiliente e desancoragem das expectativas inflacionárias, o peso do desaquecimento produtivo começou a falar mais alto. Somam-se a esse quadro interno as incertezas externas causadas pelo conflito no Oriente Médio, o que gera volatilidade nas cadeias globais de suprimentos e commodities.
Para Ulisses Ruiz de Gamboa, economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), o corte foi o passo mais prudente diante do cenário atual. "A perspectiva de desaceleração da atividade econômica tende a diminuir a pressão sobre os preços a médio prazo. Isso justifica uma política monetária menos contracionista por parte do Banco Central, embora o momento ainda exija extrema cautela devido às pressões estruturais e fiscais", avalia.
A ACSP ressalta que o foco do mercado agora se volta para a leitura atenta do comunicado oficial do Copom. "Será fundamental avaliar em detalhes as causas dessa decisão, se houve unanimidade entre os membros do comitê e, principalmente, se haverá alguma sinalização clara sobre o ritmo do ciclo de redução dos juros básicos nas próximas reuniões", conclui Gamboa.
Sobre a ACSP
Fundada em 1894, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) é a maior associação empresarial do Brasil, com 132 anos de história e mais de 15 mil associados. Sob a presidência de Alfredo Cotait Neto, maior liderança do associativismo empresarial brasileiro, a entidade é a principal voz do empreendedor nacional na defesa da livre iniciativa.
A ACSP tem protagonismo direto na construção do marco legal do empreendedorismo no país: foram criados ou impulsionados pela ACSP o Estatuto da Micro e Pequena Empresa, o Simples Nacional, o Microempreendedor Individual (MEI), a Lei da Liberdade Econômica, o Impostômetro e, em parceria com a CACB, o Gasto Brasil.
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Por ACSP - 17/06/2026