
O turismo brasileiro entrou em 2026 sob dupla pressão regulatória. De um lado, o debate sobre a redução da jornada 6x1 atravessa todo o setor produtivo nacional: segundo estimativas apresentadas na Câmara dos Deputados, cerca de 31,5 milhões de brasileiros atuam em escalas contínuas — e o turismo, por operar sete dias por semana em hotelaria, bares, restaurantes e agências de viagem, está entre os segmentos mais sensíveis aos efeitos práticos de uma eventual mudança. De outro, o setor passou a conviver com a fiscalização do item 1.5 da NR-1, que tornou obrigatório o gerenciamento de riscos psicossociais e entrou em vigor em 26 de maio.
O setor que está no centro dessa equação é um dos maiores motores de emprego formal do Brasil. Em 2024, o turismo acumulou 8,1 milhões de postos de trabalho, superando o recorde histórico de 2019, quando o número era de 7,7 milhões, segundo dados do World Travel and Tourism Council (WTTC). Somente nos sete primeiros meses de 2024, foram criadas 110 mil novas vagas com carteira assinada na atividade turística, resultado 35% superior ao da agropecuária no mesmo período, de acordo com o Ministério do Turismo com base no Novo CAGED.
A entrada em vigor da NR-1 atualizada, pela Portaria MTE 765/2025, encerra o período educativo e orientativo que vigorou desde maio de 2025. A partir de agora, empresas com empregados regidos pela CLT estão sujeitas a fiscalização, autuação e multas caso não incluam fatores como burnout, assédio moral, sobrecarga de tarefas e metas abusivas no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). Para o setor de hospitalidade, com operações de 24 horas e alta rotatividade de pessoal, a adequação representa um desafio de gestão e de custos que ainda não foi devidamente dimensionado pelo setor produtivo.
Para debater esses impactos com base em dados, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), por meio do Conselho de Política Urbana e Meio Ambiente e do Núcleo de Turismo, promove no dia 17 de junho a palestra 'O Futuro do Turismo: como a possível redução da jornada 6x1 e a NR-1 redefinem o setor'. O convidado é Orlando de Souza, presidente executivo do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB), referência na representação do segmento de hospedagem no país.
O evento tem formato híbrido, com transmissão simultânea pelo Zoom, e integra a agenda de debates técnicos que a ACSP mantém com o setor produtivo em ano de inflexão regulatória e pré-eleitoral. A entidade, fundada em 1894, é a maior associação comercial da América Latina e interlocutora recorrente do empresariado paulistano junto ao Congresso Nacional e ao Executivo federal.
Serviço
Palestra: "O Futuro do Turismo: como a possível redução da jornada 6x1 e a NR-1 redefinem o setor"
Data: 17 de junho de 2026
Horário: 10h
Local: Sede da ACSP, Rua Boa Vista, 51, 9º andar, Centro, São Paulo (SP)
Formato: Híbrido (presencial e online pelo Zoom)
Credenciamento/Confirmação: [email protected]
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Por ACSP - 16/06/2026