ONGs sem transparência comprometem investimentos estratégicos e travam agenda de infraestrutura no Brasil

José Carlos Aleluia
Ex-deputado federal José Carlos Aleluia
 

A falta de transparência no financiamento de organizações não governamentais com atuação no Brasil está bloqueando projetos estratégicos de infraestrutura, energia e logística e comprometendo a soberania econômica do país. A avaliação é do ex deputado federal José Carlos Aleluia, engenheiro elétrico com oito mandatos na Câmara, ex-presidente da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) e ex-conselheiro de Itaipu Binacional, que debateu o tema nesta segunda-feira (8) no Conselho Político e Social da Associação Comercial de São Paulo (COPS/ACSP).

A palestra "ONGs milionárias e o bloqueio ao desenvolvimento nacional" reuniu empresários e representantes da sociedade civil para examinar os impactos institucionais, econômicos e regulatórios da atuação de organizações com influência sobre agendas ambientais, energéticas, territoriais e de infraestrutura no Brasil. O encontro integra um ciclo de debates promovido pelo COPS/ACSP em ano que antecede as eleições presidenciais, em um momento em que segurança energética, licenciamento ambiental e atração de investimentos voltaram ao centro da discussão sobre competitividade nacional.

Na abertura do evento, Alfredo Cotait Neto, líder do associativismo e presidente da ACSP, da Federação das Associações Comerciais de São Paulo (Facesp) e da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), afirmou que o sistema associativo é o único independente do Brasil, que coloca na mesa temas de impacto real para o desenvolvimento do país, enquanto outros fóruns se perdem em discussões sem consequência prática.

O Brasil está amarrado

Aleluia, ao longo da palestra, parte de uma distinção que ele considera essencial: o problema não é ideológico, mas de governança. Trata-se, segundo ele, de uma disputa silenciosa pelo controle de decisões sobre ativos nacionais, conduzida por organizações cujo financiamento não é claro para a sociedade brasileira. "O Brasil é um país amarrado. ONGs infiltradas em conselhos de governo começaram a ter mais poder do que as autoridades legitimamente eleitas. Isso afeta drasticamente os setores de energia e transportes", afirmou.

Os efeitos concretos desse bloqueio aparecem em obras e projetos que se arrastam há anos sem solução. O palestrante citou três casos emblemáticos: o projeto da Ferrogrão, ferrovia que conectaria o centro-oeste produtor ao Arco Norte e reduziria substancialmente o custo logístico das exportações agrícolas; o asfaltamento da BR-319, que ligaria Manaus ao restante do país; e o derrocamento do Pedral do Lourenço, obra essencial para a navegabilidade da Hidrovia do Tocantins. Sobre esta última, foi direto: "Não passa nada."

A questão energética concentrou a parte mais técnica da análise. Com décadas de experiência na matriz elétrica brasileira, Aleluia criticou o que chamou de mimetismo regulatório: a tendência de reproduzir modelos europeus sem considerar que o Brasil já opera com mais de 80% de geração renovável, patamar que nenhum dos países tomados como referência sequer alcançou.

"O Brasil sofre com o excesso de subsídios para tentar imitar modelos de outros países. Há uma pressão imensa para seguirmos a trilha de nações que sequer fizeram a transição energética básica. Nossa matriz já é incrivelmente limpa se comparada a qualquer outro lugar do mundo", disse.

Os apagões recentes no Brasil e o colapso elétrico da Península Ibérica em 2025 foram apresentados como consequência direta da tentativa de operar sistemas nacionais baseados em fontes intermitentes sem o suporte de geração de base. A Usina de Belo Monte ilustrou o argumento: "O Brasil sofre com pressões de ONGs que geram construções que acabam ficando ociosas. A usina passa seis meses do ano parada devido a restrições ambientais impostas", afirmou.

A solução apontada pelo ex-deputado passa por legislação que imponha transparência ao fluxo de financiamento dessas organizações, nos moldes do que já existe nos Estados Unidos, onde todas as ONGs são obrigadas a reportar anualmente a origem e o destino de seus recursos. "Não podem existir entidades que se arvorem a defender ou ditar os rumos do patrimônio nacional sem que a sociedade saiba a origem de seus recursos. Em países europeus, isso é tratado como um problema de segurança nacional. O Brasil precisa sair do papel", declarou.

O evento foi coordenado pelo senador Heráclito Fortes, presidente do COPS/ACSP, conselho que reúne ex-vice-presidentes, ex-ministros e ex-governadores entre seus membros e tem se consolidado como um dos principais fóruns de debate sobre os obstáculos estruturais ao crescimento do Brasil.

Sobre a ACSP

Fundada em 1894, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) é a maior associação empresarial do Brasil, com 132 anos de história e mais de 15 mil associados. Sob a presidência de Alfredo Cotait Neto, maior liderança do associativismo empresarial brasileiro, a entidade é a principal voz do empreendedor nacional na defesa da livre iniciativa.

 A ACSP tem protagonismo direto na construção do marco legal do empreendedorismo no país: foram criados ou impulsionados pela ACSP o Estatuto da Micro e Pequena Empresa, o Simples Nacional, o Microempreendedor Individual (MEI), a Lei da Liberdade Econômica, o Impostômetro e, em parceria com a CACB, o Gasto Brasil.

INFORMAÇÕES PARA A IMPRENSA

[email protected] | (11) 3080-3665

Beth Matias: (11) 94276-0605 | [email protected]

Diógenes Menon: (11) 99656-4582 | [email protected]

Por ACSP - 09/06/2026