
Empresas optantes pelo Simples Nacional precisarão rever fornecedores, contratos e estratégias comerciais para se adaptar às mudanças da reforma tributária. O alerta foi feito pelo coordenador do Núcleo Temático de Tributação Federal do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), Adriano Marrocos, durante reunião do Conselho Tributário e Serviços da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), realizada nesta sexta-feira (26), que reuniu empresários e profissionais da contabilidade para discutir os impactos do novo modelo tributário sobre os pequenos negócios.
Na abertura do encontro, a coordenadora do Conselho Tributário e Serviços da ACSP, Mírian Lavocat, destacou que a reforma representa uma transformação estrutural do sistema tributário brasileiro e defendeu maior transparência sobre a arrecadação. "Será que vamos viver anos futuros de simplificação, de transparência e de saber efetivamente o que pagamos e para onde esses recursos serão destinados?", questionou a coordenadora.
Segundo Marrocos, a principal mudança para as empresas enquadradas no Simples Nacional será a necessidade de avaliar, caso a caso, se vale a pena permanecer no modelo tradicional ou migrar para o chamado Simples Híbrido, decisão que deverá ser tomada com base na realidade de cada negócio.
"A gente sempre reforma alguma coisa esperando melhorar. Mas essa reforma nos traz muita insegurança, muitos receios e muitas expectativas. É normal que empresários estejam preocupados", afirmou.
O contador explicou que a escolha deixará de depender apenas da carga tributária e passará a considerar fatores como o perfil dos clientes, fornecedores e prestadores de serviços, além da possibilidade de geração e aproveitamento de créditos tributários.
"O estudo tem que ser feito agora. Aqui não é uma continha. É realmente um estudo tributário", reforça o especialista.
Segundo ele, empresas que fornecem para outras pessoas jurídicas poderão ser pressionadas a rever suas relações comerciais para preservar a competitividade.
"Nós provavelmente teremos que substituir fornecedores, rescindir contratos e revisar contratos junto aos prestadores de serviço. O próprio cliente poderá exigir que seus fornecedores gerem créditos", comenta.
O especialista também alertou que a adaptação exigirá mudanças na gestão das empresas, incluindo revisão da formação de preços, atualização dos sistemas de gestão, adequação dos cadastros fiscais e maior aproximação entre empresários e contadores. Simulações apresentadas durante o evento indicam que, dependendo das características da empresa, a migração para o modelo híbrido poderá resultar, inclusive, em aumento da carga tributária.
Na avaliação de Marrocos, "O que deve dirigir o ritmo dos negócios é o mercado, o mercado fornecedor, o mercado consumidor e o nível de renda — não o cálculo do imposto."
Marrocos reforçou que os próximos meses serão decisivos para que empresários e profissionais da contabilidade realizem as análises necessárias antes da entrada em vigor das novas regras. "O estudo tem que ser feito agora. Aqui não é uma continha. É realmente um estudo tributário", concluiu.
Sobre a ACSP
Fundada em 1894, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) é a maior associação empresarial do Brasil, com 132 anos de história e mais de 15 mil associados. Sob a presidência de Alfredo Cotait Neto, maior liderança do associativismo empresarial brasileiro, a entidade é a principal voz do empreendedor nacional na defesa da livre iniciativa.
A ACSP tem protagonismo direto na construção do marco legal do empreendedorismo no país: foram criados ou impulsionados pela ACSP o Estatuto da Micro e Pequena Empresa, o Simples Nacional, o Microempreendedor Individual (MEI), a Lei da Liberdade Econômica, o Impostômetro e, em parceria com a CACB, o Gasto Brasil.
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Por ACSP - 26/06/2026