
A logística deixou de ser um tema periférico da agenda empresarial para ocupar posição central nas decisões de investimento, expansão e competitividade. Foi com esse diagnóstico que o presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Alfredo Cotait Neto, líder do associativismo, abriu na manhã desta terça-feira (15), no auditório da entidade, o encontro sobre oportunidades logísticas do Uruguai, organizado pelo Consulado do Uruguai em São Paulo, com o apoio das São Paulo Chamber Commerce, da ACSP.
Diante de empresários, representantes institucionais e executivos ligados ao comércio exterior, Cotait afirmou que a integração econômica regional precisa sair do plano retórico e se traduzir em ganhos concretos para quem produz, exporta e gera empregos. Para ele, custos operacionais elevados, excesso de burocracia e baixa previsibilidade ainda limitam o potencial competitivo das empresas brasileiras, sobretudo das pequenas e médias.
“Hoje, competir significa entregar melhor, com mais rapidez e com regras claras. Infraestrutura, eficiência aduaneira e segurança jurídica passaram a pesar tanto quanto custo de produção. O setor produtivo precisa de soluções práticas e de pontes reais entre mercados vizinhos”, disse Cotait.
O encontro ocorreu em um momento de reorganização das cadeias globais de suprimento e de revisão estratégica de rotas comerciais por parte das empresas. Nesse cenário, o Uruguai apresentou-se como plataforma regional capaz de concentrar armazenagem, distribuição e operações de comércio exterior para companhias interessadas em acessar o mercado sul-americano com maior eficiência.
A cônsul do Uruguai em São Paulo, Maria Noel Reyes, afirmou que o principal ativo do país não se resume à geografia. Segundo ela, a combinação entre estabilidade institucional, transparência, baixa percepção de corrupção e continuidade de políticas públicas criou um ambiente favorável ao capital produtivo.
“O Uruguai trabalhou nas últimas décadas para construir segurança jurídica e estabilidade macroeconômica. Mesmo com mudanças de governo, há políticas de Estado que se mantêm. Para o investidor, isso significa previsibilidade e um problema a menos ao decidir crescer e gerar empregos”, afirmou.
A diplomata destacou ainda o avanço dos investimentos brasileiros no país ao longo dos últimos 20 anos, em setores como produção, turismo, serviços e sistema financeiro. Segundo ela, empresas brasileiras que decidem iniciar sua internacionalização pelo Uruguai encontram proximidade cultural, escala administrável e ambiente regulatório estável.
“Muitas empresas brasileiras começam sua expansão internacional pelo Uruguai e depois avançam para outros mercados. As experiências têm sido positivas e ajudam a atrair novos projetos”, disse.
Na apresentação técnica do encontro, representantes uruguaios detalharam instrumentos utilizados pelo país para atrair operações logísticas, como portos livres, zonas francas, depósitos aduaneiros particulares e regimes que permitem armazenagem, fracionamento, customização e redistribuição de mercadorias sem incidência imediata de tributos. A proposta é reduzir imobilização de estoque, ganhar escala regional e acelerar o atendimento ao cliente final.
Para empresas brasileiras, especialmente pequenas e médias, o modelo pode funcionar como alternativa de entrada em mercados externos sem a necessidade de estruturas próprias dispersas por diferentes países. Em vez de multiplicar centros de distribuição, a lógica é centralizar inventários e abastecer destinos diversos a partir de uma base única.
Cotait retomou esse ponto ao defender que a relação entre Brasil e Uruguai deve ser construída sob a lógica da complementaridade econômica. “Não se trata de competição entre vizinhos. Trata-se de cooperação inteligente. Quando economias próximas reduzem barreiras e ampliam conexões, todos ganham: empresas, trabalhadores e consumidores”, afirmou.
Também presente ao encontro, Maurício Manfré, assessor especial de Assuntos Internacionais da ACSP, ressaltou que a missão da entidade é aproximar o empresariado paulista de oportunidades concretas no exterior. Segundo ele, agendas como a desta terça-feira ajudam a transformar diplomacia em negócios.
“A ACSP tem compromisso histórico com a livre iniciativa. Quando reunimos autoridades e empreendedores em torno de oportunidades objetivas, encurtamos caminhos e ampliamos horizontes para quem quer investir e crescer”, afirmou.
A secretária municipal de Relações Internacionais de São Paulo, Ângela Gandra, afirmou que a capital paulista mantém interlocução permanente com representações diplomáticas e vê o Uruguai como parceiro estratégico em uma agenda que combina comércio, cultura e desenvolvimento. Para ela, o avanço do acordo Mercosul-União Europeia reforça a necessidade de fortalecer vínculos regionais.
“São Paulo trabalha com os consulados para fazer acontecer relações econômicas, sociais e culturais. O Uruguai é um parceiro estratégico, nosso vizinho, e este evento catalisa oportunidades logísticas, comerciais e empresariais. Queremos internacionalizar nossas empresas em uma lógica de ganha-ganha”, disse.
Ela também defendeu uma visão menos estreita sobre integração econômica. “Os benefícios não são apenas financeiros. Há ganhos em qualidade de vida, inovação e oportunidades para diferentes gerações. Reduzir essa agenda apenas ao aspecto econômico seria insuficiente”, afirmou.
Ao sediar o encontro, a ACSP reforça uma agenda que ganhou tração entre empresários nos últimos anos: a busca por produtividade via melhor inserção internacional. Em um ambiente de margens comprimidas e competição global mais intensa, logística eficiente deixou de ser diferencial operacional.
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Por ACSP - 22/04/2026