Vendas de Páscoa mantêm estabilidade em relação ao ano passado, segundo ACSP

São Paulo, 24 de março de 2026 – A Associação Comercial de São Paulo (ACSP) estima que as vendas de Páscoa devem apresentar estabilidade em relação ao ano passado, segundo o modelo de previsão do varejo do Instituto de Economia Gastão Vidigal da ACSP (IEGV/ACSP).

De acordo com o economista da ACSP, Ulisses Ruiz de Gamboa, “apesar de o emprego e a renda continuarem crescendo, os fortes aumentos no preço do chocolate, motivados pela disparada no preço do cacau, em um contexto de elevado endividamento das famílias e taxas de juros elevadas, que encarecem o crédito e desestimulam o consumo, devem manter o volume de vendas praticamente no mesmo nível do ano passado”.

Ruiz de Gamboa explica ainda que, “para o varejo em geral, a Páscoa não é uma data tão importante, pois a maior parte das vendas se concentra em produtos alimentícios, especialmente os ovos de chocolate. Esse movimento acaba favorecendo, principalmente, supermercados e hipermercados, além de lojas especializadas em chocolate”.

Impostos na Páscoa

Quem planeja comprar ou presentear com ovos de Páscoa precisa estar ciente de que 38,25% do valor do produto corresponde a impostos. Essa informação é baseada nos dados do Impostômetro.

Destaca-se como o produto mais tributado, nesta temporada, o vinho importado, com uma taxa de 64,57%. Isso significa que, ao adquirir uma garrafa de vinho importado pelo preço de R$ 54,38, por exemplo, o consumidor desembolsa R$ 19,27 pelo produto e mais R$ 35,11 em tributos. Por outro lado, o vinho nacional apresenta uma carga tributária menor, porém, ainda muito elevada, com média de 45,56%.

Os ovos de Páscoa caseiros podem ser uma alternativa para os consumidores e uma oportunidade de renda extra para os microempreendedores. No entanto, evitar os produtos industrializados não significa, necessariamente, escapar dos altos impostos. Para a produção de um ovo simples, que requer chocolate, papel celofane e fita adesiva para embalagem, são gastos, respectivamente, 38,25%, 39,11% e 40,06% em impostos.

Segundo João Eloi Olenike, presidente-executivo do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), “os altos tributos sobre os produtos de Páscoa limitam o poder de compra dos consumidores, impedindo que muitos adquiram itens de melhor qualidade nesse período. Segundo ele, o sistema tributário brasileiro, focado, principalmente, no consumo, acaba penalizando as pessoas de renda mais baixa, que pagam, proporcionalmente, mais impostos do que as de renda mais alta. Isso dificulta ainda mais o acesso das classes menos favorecidas aos produtos típicos da data”, completa Olenike.

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Por ACSP - 24/03/2026