A Associação Comercial de São Paulo (ACSP) promoveu, nesta segunda-feira (22), uma palestra sobre voto distrital misto com o especialista em sistemas eleitorais, prof. Dr. Orjan Olsen. Realizado pelo Conselho Jurídico (Conjur), o encontro reuniu empresários, juristas e lideranças associativas para discutir uma proposta que está em análise no Congresso Nacional e que busca aproximar eleitores e representantes.
Durante a apresentação, Olsen detalhou o funcionamento do modelo, que combina a eleição de representantes por distritos geográficos com mecanismos de proporcionalidade partidária. Segundo ele, o sistema pode contribuir para fortalecer a representatividade política, ampliar a responsabilização dos parlamentares e melhorar a qualidade da atuação legislativa.
“O voto distrital misto garante maior representatividade, maior responsabilização e melhoria da qualidade da Câmara, levando a uma maior estabilidade e governabilidade”, afirmou.
O especialista destacou que um dos desafios do atual sistema eleitoral é a dificuldade de os eleitores identificarem seus representantes e acompanharem o desempenho dos mandatos. Pesquisas apresentadas durante o encontro apontam baixos índices de confiança nas instituições políticas e pouco conhecimento da população sobre a atuação de deputados e senadores.
Para Olsen, a delimitação geográfica dos distritos favorece uma relação mais próxima entre eleitores e parlamentares, ampliando a capacidade de fiscalização e cobrança por resultados.
“O candidato mais próximo do eleitor tem que aprender a ouvir mais e o eleitor terá mais facilidade de se fazer ouvir”, observou.
Representatividade
Outro aspecto abordado foi o potencial de redução das distorções do modelo atual, especialmente em relação aos chamados “puxadores de voto”. Na avaliação do especialista, o voto distrital misto tende a fortalecer a conexão entre o representante eleito e a comunidade que ele efetivamente representa.
Olsen também explicou que a definição dos distritos seria baseada em critérios técnicos e dados populacionais do IBGE, utilizando parâmetros geográficos capazes de garantir equilíbrio populacional e reduzir riscos de manipulação política.
Além dos aspectos eleitorais, o debate abordou os impactos institucionais da proposta. Para a ACSP, o aperfeiçoamento da representação política está diretamente relacionado à construção de um ambiente mais favorável ao desenvolvimento econômico, à segurança jurídica e à formulação de políticas públicas mais alinhadas às necessidades da sociedade.
Segundo o palestrante, sistemas políticos mais conectados às demandas regionais tendem a produzir decisões mais aderentes à realidade das comunidades e do setor produtivo, contribuindo para maior eficiência na aplicação de recursos públicos e para uma relação mais transparente entre representantes e representados.
O especialista também ressaltou que o fortalecimento dos mecanismos de representação pode ajudar a enfrentar a atual crise de confiança nas instituições.
“A luta para mim hoje é a conscientização da qualidade da escolha de um deputado. Esse é o ponto mais importante, porque por trás disso está a crise de confiança no Legislativo e no Executivo”, afirmou.
A palestra foi conduzida pelo coordenador do Conselho Jurídico da ACSP, Fabio Prieto, e contou com a participação do coordenador-geral dos Conselhos da entidade, Andrea Matarazzo. O encontro integra a agenda da Associação Comercial de São Paulo voltada à discussão de temas estruturantes para o fortalecimento das instituições, da democracia e do ambiente de negócios no país.
Sobre a ACSP
Fundada em 1894, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) é a maior associação empresarial do Brasil, com 132 anos de história e mais de 15 mil associados. Sob a presidência de Alfredo Cotait Neto, maior liderança do associativismo empresarial brasileiro, a entidade é a principal voz do empreendedor nacional na defesa da livre iniciativa.
A ACSP tem protagonismo direto na construção do marco legal do empreendedorismo no país: foram criados ou impulsionados pela ACSP o Estatuto da Micro e Pequena Empresa, o Simples Nacional, o Microempreendedor Individual (MEI), a Lei da Liberdade Econômica, o Impostômetro e, em parceria com a CACB, o Gasto Brasil.
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Por ACSP - 23/06/2026