A Associação Comercial de São Paulo (ACSP), por meio de seu presidente Alfredo Cotait Neto, que também preside a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) e a Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (FACESP), manifestou-se contra a tramitação acelerada de propostas que visam alterar a escala de trabalho 6x1. A entidade, representando o Sistema Associatista, assina manifesto com mais de 60 organizações do setor produtivo pedindo o adiamento do debate para 2027, com foco em diálogo amplo e escuta aos pequenos e médios empreendedores.
A crítica surge após sinalização do governo federal de enviar ao Congresso Nacional um projeto de lei (PL) em regime de urgência, que acelera a votação em até 45 dias por Casa Legislativa, sob pena de paralisar a pauta. A medida substituiria a PEC 8/2025, em tramitação na Câmara dos Deputados, que exige quórum qualificado e debate mais longo.
No manifesto "2027 é o ano para discutir escala de trabalho", a ACSP alerta que o atropelo ao debate ignora as graves consequências econômicas, como impactos no custo da mão de obra, geração de empregos e crescimento. "A sinalização de que o governo federal pretende apressar a aprovação [...] revela que o governo não quer discutir as graves consequências dessa possível alteração", afirma o texto, assinado por Cotait Neto em nome do Sistema Associativo.
O documento, apoiado por entidades parceiras do Conselho Consultivo da ACSP, rejeita inclusive uma Medida Provisória (MP), vista como afronta ao Congresso e à sociedade. Defende serenidade, diálogo sem pressa e postergação para após o período eleitoral, para evitar contaminação por interesses políticos.
Cotait Neto reforça a necessidade de negociações entre empregadores e trabalhadores. "O negociado prevalece sobre o legislado. Precisamos chamar todos os setores da sociedade civil organizada, os empreendedores, os trabalhadores, e verificar como podemos fazer uma alteração possível que não prejudique os consumidores com inflação, nem os trabalhadores com queda nos empregos e nem os empresários com aumento de custo", declarou o presidente.
Por ACSP - 08/04/2026