ACSP recebe representantes do Uruguai

Com a palavra, a consulesa

O encontro, organizado pelo Consulado com o apoio da São Paulo Chamber Commerce, da ACSP, teve o tema logística como foco e contou com a participação da consulesa do Uruguai em São Paulo, Maria Noel Reyes. Ela afirmou que o principal ativo de seu país não se resume à geografia. Segundo ela, a combinação entre estabilidade institucional, transparência, baixa percepção de corrupção e continuidade de políticas públicas criou um ambiente favorável ao capital produtivo.

“O Uruguai trabalhou nas últimas décadas para construir segurança jurídica e estabilidade macroeconômica. Mesmo com mudanças de governo, há políticas de Estado que se mantêm. Para o investidor, isso significa previsibilidade e um problema a menos ao decidir crescer e gerar empregos”, afirmou.

A diplomata destacou ainda o avanço dos investimentos brasileiros no país ao longo dos últimos 20 anos, em setores como produção, turismo, serviços e sistema financeiro. Segundo ela, empresas brasileiras que decidem iniciar sua internacionalização pelo Uruguai encontram proximidade cultural, escala administrável e ambiente regulatório estável.

 

Em tempos de acordo Mercosul – União Europeia

Na palavra de abertura, o presidente da ACSP, Alfredo Cotait Neto, líder do associativismo, diante de empresários, representantes institucionais e executivos ligados ao comércio exterior, afirmou que a integração econômica regional precisa sair do plano retórico e se traduzir em ganhos concretos para quem produz, exporta e gera empregos.

“Hoje, competir significa entregar melhor, com mais rapidez e com regras claras. Infraestrutura, eficiência aduaneira e segurança jurídica passaram a pesar tanto quanto custo de produção. O setor produtivo precisa de soluções práticas e de pontes reais entre mercados vizinhos”, disse Cotait.

 

Novos rumos

O encontro ocorreu em um momento de reorganização das cadeias globais de suprimento e de revisão estratégica de rotas comerciais por parte das empresas. Nesse cenário, o Uruguai apresentou-se como plataforma regional capaz de concentrar armazenagem, distribuição e operações de comércio exterior para companhias interessadas em acessar o mercado sul-americano com maior eficiência.

Alfredo Cotait acrescentou que a relação entre Brasil e Uruguai deve ser construída sob a lógica da complementaridade econômica. “Não se trata de competição entre vizinhos.Trata-se de cooperação inteligente. Quando economias próximas reduzem barreiras e ampliam conexões, todos ganham: empresas, trabalhadores e consumidores”, afirmou.

 

Ganhos diversos

A Secretária municipal de Relações Internacionais de São Paulo, Ângela Gandra afirmou que a capital paulista mantém interlocução permanente com representações diplomáticas e vê o Uruguai como parceiro estratégico em uma agenda que combina comércio, cultura e desenvolvimento. Para ela, o avanço do acordo Mercosul-União Europeia reforça a necessidade de fortalecer vínculos regionais.

“São Paulo trabalha com os consulados para fazer acontecer relações econômicas, sociais e culturais. O Uruguai é um parceiro estratégico, nosso vizinho, e este evento catalisa oportunidades logísticas, comerciais e empresariais. Queremos internacionalizar nossas empresas em uma lógica de ganha-ganha”, disse.

Por ACSP - 17/04/2026