CTS debate impactos da Reforma Tributária para empresas do Simples Nacional

Imagens: Adnilson Júnior

O Conselho Tributário e Serviços (CTS) da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) promoveu a palestra "A orientação dos profissionais de contabilidade para empresas do Simples Nacional na Reforma Tributária", reunindo empresários, contadores e especialistas para discutir os efeitos das mudanças no sistema tributário brasileiro sobre os pequenos negócios.

Convidado para o encontro, Adriano Marrocos, coordenador do Núcleo Temático de Tributação Federal do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), apresentou uma análise dos principais desafios trazidos pela Reforma Tributária e destacou a importância do planejamento estratégico para minimizar impactos e identificar oportunidades no novo modelo de tributação.

Na abertura do evento, a coordenadora do CTS, Mírian Lavocat, ressaltou que a Reforma Tributária representa uma das maiores mudanças no ambiente de negócios das últimas décadas e exige preparação por parte das empresas.

"A Reforma Tributária é uma mudança complexa que nos afetará amplamente, especialmente os contribuintes enquadrados no Simples Nacional. É fundamental compreender como esses contribuintes serão tratados no novo modelo, como devem se preparar e de que forma podem reduzir os impactos sobre seus negócios", afirmou.

Durante a apresentação, Marrocos explicou que a Lei Complementar nº 214/2025, responsável por regulamentar a Reforma Tributária, instituiu o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto Seletivo (IS). A nova legislação também permite que empresas optantes pelo Simples Nacional escolham recolher IBS e CBS pelo regime regular, sem perder o enquadramento no regime simplificado.

Segundo o especialista, essa possibilidade amplia as alternativas de planejamento tributário, mas exige uma análise técnica criteriosa, já que a escolha poderá influenciar diretamente a competitividade e a sustentabilidade financeira das empresas.

"A decisão deve ser tomada com base em estudos econômicos e tributários rigorosos. Não existe outro caminho: é preciso levantar os créditos, fazer simulações e cálculos detalhados. Hoje, a decisão tributária exige uma análise muito mais profunda e baseada em dados", destacou.

Como orientação prática aos empresários, Marrocos recomendou que as empresas iniciem desde já estudos comparativos considerando os quatro principais cenários tributários possíveis: Simples Nacional, Simples Nacional híbrido, Lucro Presumido e Lucro Real.

O especialista também enfatizou que a definição da estratégia tributária deve levar em consideração toda a cadeia de negócios da empresa, especialmente o perfil de clientes e fornecedores e as possibilidades de aproveitamento dos créditos de IBS e CBS, fatores que poderão influenciar significativamente os custos e a competitividade das organizações.

 

Por ACSP - 26/06/2026