Gilberto Kassab palestra na reunião do Conselho Consultivo das Entidades

Na sexta-feira (21), o Conselho Consultivo das Entidades Representativas Parceiras, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), recebeu, na sede da entidade, o secretário de Governo e Relações Institucionais do Estado de São Paulo, Gilberto Kassab, que proferiu a palestra: “Perspectivas Políticas e Empresariais para 2025”. Compuseram a mesa Roberto Mateus Ordine, presidente da ACSP, Rogério Amato, coordenador-geral do Conselho Superior, e Alfredo Cotait Neto, presidente da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp) e Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB).

Na abertura da reunião, o presidente Ordine destacou que “iniciamos os trabalhos de 2025 com a presença de um palestrante especial, que vai nos brindar com uma análise política e econômica do nosso País”.

Falando para membros das instituições que integram o Conselho Consultivo das Entidades Representativas Parceiras, vice-presidentes da ACSP, entre outros dirigentes, Gilberto Kassab iniciou a sua apresentação abordando a instabilidade política que o Brasil enfrenta desde 2013, inicialmente desencadeada por conta aumento das tarifas do transporte público, mas que refletiu uma indignação mais ampla da sociedade.

“O Brasil, desde 2013, tem uma certa instabilidade, não de institucional, mas política. Na verdade, o aumento de tarifa apenas desencadeou uma insatisfação, que, naquele momento, foi o que a sociedade precisava para manifestar sua indignação pelos rumos do País”, disse. Kassab também pontou que, mesmo com a reeleição de Dilma Rousseff (PT), a insatisfação da população foi crescente e acabou desencadeando a eleição de Bolsonaro, em 2018.

Ao falar sobre o governo Bolsonaro, o palestrante apontou que um equívoco de avaliação cometido pelo ex-presidente foi que “ele entendia que a sua eleição foi fruto de uma identidade, quase unanime do Brasil, em relação com a sua mensagem conservadora”, fazendo que se esquecesse de governar para aqueles que ficaram mais ao centro. Além de dirigir-se apenas aos conservadores, Kassab apontou outros erros da gestão Bolsonaro que, na sua visão, contribuíram para a volta de Lula, por exemplo, sua posição em relação à vacina.

Apesar dessa constatação, Kassab reconheceu que o governo Bolsonaro teve muitos méritos, especialmente na atuação econômica. “Passado o tempo, conseguimos ver como foi importante o Paulo Guedes. Não era o ministro da Economia, ele era o vice-presidente da República da Economia”, afirmou. “Ficaram sete ministérios integrados num só, comandados por ele e com plenos poderes, trazendo muita confiança para os investidores e estabilidade”.

O secretário de Governo e Relações Institucionais do Estado citou que, com as últimas eleições municipais, sentiu que a insatisfação do eleitorado continua presente, onde candidatos outsiders quase venceram, indicando uma mudança na dinâmica política. “O Marçal ficou só 2% atrás do segundo colocado”.

Apesar desse cenário, Kassab frisou que o eleitor brasileiro está percebendo quem são os bons gestores e políticos, o que é um desenvolvimento positivo em relação ao passado. “Essa indignação, ela está se dando em relação àqueles que têm uma má conduta ou uma má gestão. A sociedade brasileira está aprendendo a reconhecer os bons gestores, os bons políticos”.

Outro ponto abordado foi sobre a qualidade da representação política, reconhecendo a necessidade de melhorar a qualidade dos políticos, principalmente no momento em que o Congresso está amadurecendo o debate de uma proposta para avaliar o sistema de representação, mantendo-o proporcional, mas com a possibilidade de adotar um modelo de voto distrital misto.

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Por ACSP - 21/02/2025