Temas em Análise 302: Varejo Começa o 2021 com "Perda de Fôlego", que deverá continuar durante o Primeiro Trimestre

VAREJO COMEÇA O 2021 COM “PERDA DE FÔLEGO”, QUE DEVERÁ
CONTINUAR DURANTE O PRIMEIRO TRIMESTRE

Em janeiro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as vendas do varejo restrito (que não incluem veículos e material de construção) e do ampliado (que consideram todos os segmentos) apresentaram quedas de 0,3% e 2,9%, respectivamente, em relação ao mesmo mês do ano passado (ver tabela na página seguinte). Essas retrações ficaram abaixo das expectativas de mercado, e interromperam uma sequência de aumentos nas vendas, registrados durante o segundo semestre de 2020 (Gráfico 1). Em 12 meses, ambos tipos de varejo também apresentaram piora, em relação à leitura anterior, com alta de 1,0% e recuo de 1,9%, respectivamente.

Esses resultados, de maneira geral, se explicam pela ausência do auxílio emergencial, frente à queda da renda e do emprego, pelo recrudescimento da pandemia, que gerou restrições ao funcionamento do comércio e pelas elevações de preços dos alimentos. Frente a essa situação, as famílias continuaram priorizando o consumo de itens essenciais e relacionados com a maior permanência nos lares, tais como farmácias, supermercados e materiais de construção, cujas vendas seguiram em expansão. Pelos mesmos motivos, foram anotadas contrações nas vendas de tecidos, vestuário e calçados – a maior contribuição negativa – e móveis e eletrodomésticos, em linha com o antecipado pelo Balanço de Vendas, divulgado pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP) em janeiro, além de veículos e artigos de escritório e informática.

 

 

Em síntese, o varejo no início de 2021 continuou perdendo “folego” pela falta do auxílio emergencial e pelo recrudescimento da pandemia. A lenta vacinação, o surgimento de uma segunda onda da COVID-19, as novas medidas restritivas (fase vermelha e emergencial) e a queda da confiança do consumidor em fevereiro e março deverão manter essa tendência de arrefecimento para o varejo restrito durante o primeiro trimestre, de acordo com as projeções do Instituto de Economia Gastão Vidigal (IEGV) da ACSP (Gráfico 2).

 


Por IEGV - Instituto de Economia Gastão Vidigal