Temas em Análise 313: Inflação Anual Continua Escalada em Agosto

INFLAÇÃO ANUAL CONTINUA ESCALADA EM AGOSTO

Segundo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – a inflação oficial, em agosto, apresentou alta de 0,87%, surpreendendo os analistas de mercado. Apesar de desacelerar em relação ao mês anterior, em termos anuais (resultado acumulado em 12 meses), o IPCA seguiu avançando para 9,68% (ver tabela abaixo), ficando ainda mais longe do limite máximo anual permitido (5,25%).

O principal responsável pela alta mensal foi o reajuste dos preços da gasolina, decorrente do aumento da cotação do petróleo no mercado internacional, potencializado pela maior taxa de câmbio e pela elevação dos preços dos biocombustíveis. Os aumentos dos preços dos alimentos também contribuíram para essa alta, que, de todo modo, foi mais disseminada entre os itens que compõem a cesta básica. Os núcleos de inflação, que sinalizam a variação do IPCA, excluindo-se a influência dos preços mais voláteis também mostraram avanço em termos anuais (12 meses).

Por outro lado, de acordo com o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGPDI), divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), houve redução de 0,14% na inflação, em agosto, causada fundamentalmente pela diminuição da cotação internacional do minério de ferro, que mais do que compensou a alta das commodities agrícolas registrada no mesmo mês. Essa deflação no atacado gerou desaceleração do resultado anual (12 meses) do IGP-DI, que alcançou a 28,21%, nível, contudo, ainda suficientemente elevado para encarecer a produção e, portanto, o custo de vida das famílias.

 

 

Em síntese, apesar da desaceleração da inflação oficial em agosto, esta continua avançando em termos anuais, em decorrência de pressões ocasionadas pelos preços administrados e pelos custos de produção. Essas pressões tenderão a continuar durante os próximos meses, devido principalmente à crise hídrica, mantendo o IPCA anual em patamares superiores ao “teto” da meta de inflação perseguida pelo Banco Central.


Por IEGV - Instituto de Economia Gastão Vidigal