Debate promovido pela ACSP antecipa boa convivência dos comércios físico e virtual no pós-pandemia

São Paulo, 31 de julho de 2020. O Conselho de Política Urbana (CPU) da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) promoveu, nesta quarta-feira (29), debate virtual “Comércio e Consumo: considerações de futuro e impactos com a pandemia", que trouxe a participação de Ricardo Lagreca, diretor sênior Jurídico e de Relações Governamentais no Mercado Livre, e Heliana Comin Vargas, professora titular da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP (FAU-USP) e coordenadora do LabCom.

“O ser humano sempre se desenvolveu através do comércio. Vemos isto desde o tempo dos fenícios, que faziam suas navegações e os escambos. Com o comércio, cresceram a economia, os bancos e as trocas de moedas”, disse Antonio Carlos Pela, vice-presidente da ACSP e coordenador do CPU. “Agora, novamente, o comércio é protagonista de uma mudança na sociedade humana. Nunca podemos esquecer que a humanidade sempre foi um conjunto de seres de contato e agrupamento e esta pandemia serviu para separar um pouco as pessoas. Estamos nos acostumando com isto no mundo virtual, inclusive nas compras. Mas ainda existe a necessidade de tocar e experimentar. É por isto que devemos ter uma mistura destes dois mundos no futuro próximo”, completou.

Segundo Lagreca, durante a pandemia, o comércio eletrônico mundial teve um crescimento no volume de negócios que demoraria 10 anos para ocorrer em tempos 'normais'. “Prova disso que é hoje temos 1 a cada 3 smartphones com o aplicativo do Mercado Livre instalado, realizamos uma venda a cada 13 segundos e, numa quarta-feira, as transações na plataforma são maiores do que a última Black Friday. É lógico que, quando o comércio se abrir totalmente, estes números não devem se manter. Mas boa parte sim, pois teve uma experiência positiva, inclusive na nossa Fintech, uma vez que facilitou o uso do auxílio emergencial do governo”, explicou.

Para Ricardo Lagreca, o comércio eletrônico pode ajudar a democratizar o empreendedorismo e o crédito. “Em virtude da pandemia, muitos perderam seus empregos formais e agora têm como alternativa se tornarem empreendedores. O que queremos é fornecer ferramentas para estas pessoas começarem seus negócios. Hoje temos 300 mil famílias que vivem de vender na plataforma. Temos um crescimento muito grade de vendedores formalizados e isso mostra que há sim uma migração para o comércio eletrônico”, afirmou.

“É um grande desafio prever o que vai acontecer após a pandemia”, ponderou Heliana Comin Vargas. “Mas é possível dizer que a doença acelerou diversos processos que já estavam em curso. O comércio e os serviços nunca foram vistos como sendo essenciais. E agora, com esta pandemia, isto ficou notório. O fato de não podermos ir às compras nos impactou profundamente”, disse.

Heliana lembrou que o comércio nasce junto com as cidades e estão embrionariamente ligados, uma vez que os viajantes sempre precisaram de um lugar para comer e se hospedar em suas viagens. “Em contrapartida, também tínhamos aqueles comerciantes que viajavam levando suas mercadorias e também informação a novos lugares, num movimento muito parecido o sistema de delivery de hoje, mas agora embarcado em novas tecnologias”, contou.

A professora também explicou que existem dois tipos de compras: aquelas que são por necessidade e as que são feitas por prazer, ou impulso. “Durante a pandemia, as compras por necessidade foram supridas pelo comércio eletrônico. Já aquelas que fazemos por prazer, foram afetadas pelas lojas fechadas e devem ter uma evolução rápida quando o comércio for totalmente aberto. Basta ver o aconteceu nos lugares onde os shoppings e os bares voltaram a funcionar”, comparou.

Segundo Heliana, as ruas de comércio especializado deverão perder um pouco do público, uma vez que o comércio virtual deverá continuar suprindo esta demanda. “Esta compra normalmente é vista como obrigatória ou de necessidade. Não que não possa haver prazer em compras obrigatórias, como o supermercado, por exemplo.”

Ambos os participantes concordaram que o trabalho em casa deverá continuar mesmo após a pandemia e que esta será principal mudança na forma como e onde as pessoas vão fazer suas compras.

“Em termos de rotina das empresas, depois que a pandemia acabar, vamos manter um home office de cerca de 50% do pessoal. Imagino que outras empresas devem fazer o mesmo movimento. Já soube de escritórios de advocacia que vão funcionar totalmente neste regime e isto deve ter um reflexo de mobilidade, o fluxo de pessoas e até o mercado imobiliário”, explicou Lagreca.

Para Heliana, o home office veio para ficar, uma vez que se descobriu as vantagens deste modelo de trabalho em detrimento dos problemas de deslocamento nas grandes cidades. “Isto acaba afetando a formação de fluxos de pessoas. Agora, a grande questão é onde serão formados estes novos fluxos?”

A professora explicou também que as compras por prazer, ou por impulso, dependem exatamente do fluxo de pessoas nas ruas ou nos centros de lazer. “O grande desafio para o lojista e para o poder público será a criação de novos fluxos. Uma coisa fundamental que os governos poderiam ter é um banco de dados detalhado sobre os seus cidadãos para poder mapear onde estas pessoas estão circulando e se aglomerando para que, nestes locais, sejam criadas centralidades e oferecidas condições para os comerciantes atuarem”, sugeriu.

Sobre este assunto, Pela explicou que a CPU da ACSP está envolvida em um estudo do uso de espaços públicos nas atividades de comércio e serviços, para que isso possa auxiliar ao público, empresários e clientes. “Queremos transformar estes espaços em locais seguros para que as pessoas possam conviver e fazer suas compras”, finalizou.

 

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Por ACSP