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VENDAS DO VAREJO CRESCEM MENOS DO QUE O ESPERADO EM 2018

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as vendas do varejo restrito (que não considera veículos e material de construção) mais uma vez frustraram as expectativas do mercado, aumentando somente 0,6% sobre o mesmo mês de 2017 (ver tabela abaixo). O varejo ampliado (que considera todos os setores) também se elevou menos do que o esperado, embora com maior intensidade, mantendo-se a mesma base de comparação (1,8%).

Com esse desempenho em dezembro, o setor fecha 2018 com crescimentos para os dois tipos de varejo de 2,3% e 5,0%, respectivamente, o que significa no primeiro caso expansão levemente superior à registrada em 2017 (2,1%). Esse resultado aquém do esperado se explicaria pelo alto desemprego, pelo baixo crescimento dos salários, pelo custo ainda elevado do crédito, pela alta do dólar, além da incerteza eleitoral reinante em grande parte do ano, e a greve dos caminhoneiros, que parece haver exercido efeitos
negativos permanentes em toda a atividade econômica.

Os segmentos que mais se destacaram no ano passado estão relacionados à venda de produtos essenciais, tais como supermercados e farmácias. A exceção correu por conta dos veículos, beneficiados por melhores condições de financiamento, cuja elevada expansão foi a principal responsável pelo melhor desempenho do varejo ampliado.

Em síntese, apesar do varejo ter crescido abaixo do esperado no ano passado, a perspectiva para os próximos meses é mais alentadora, em função da forte recuperação da confiança do consumidor, ocorrida nos últimos meses, e da menor inflação esperada para 2019, abrindo a possibilidade de manutenção dos juros básicos no atual patamar, o que, em conjunto com o maior crescimento da atividade e da geração de empregos, apontaria para uma retomada mais intensa das vendas do varejo.

 

Por IEGV - Instituto de Economia Gastão Vidigal