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Em dezembro as vendas do varejo restrito subiram apenas +3,3% sobre o mesmo mês de 2016, ante +6,0% no mês anterior. Já, o varejo amplo, que inclui veículos e material de construção, apresentou alta de 6,4%, ante +8,7%, respectivamente, na mesma base de comparação. Os acumulados do ano apresentaram resultados positivos +2,0% e +4,0%, superando a expectativa de alta de +1,5%.

No comparativo anual o crescimento teve perfil heterogêneo. Os supermercados apresentaram alta de 1,4%, frente a 2016. Foram estimulados pela queda de preços de alimentos (-1,49%) decorrente da "supersafra" e pelo crescimento da massa salarial (+3,6%) conforme a pesquisa PNAD divulgada pelo IBGE.

Já, os ramos de móveis e eletrodomésticos (+9,5%), veículos (+2,7%) e material de construção (+9,2) refletiram a recuperação da massa salarial e a queda das taxas de juros PF e alongamento dos prazos de financiamento. Por sua vez, o ramo de tecidos com +7,6% se beneficiaram da alta da massa salarial e podem ter sido estimulados pela liberação do FGTS e PIS/PASEP dos aposentados.

Na contramão, informática com queda de (-3,1%) sugere que o uso de computadores está sendo substituído por "tablets" e "smartphones", mais baratos.

Destaca-se também a fraca base de comparação gerada por 2 anos de quedas de -4,3% e -6,2% no varejo restrito, é de -8,6% e -8,7% no ampliado.

Em síntese, há uma indiscutível recuperação das vendas após 9 meses de altas consecutivas mensais. Mas, o ritmo de recuperação oscila bastante e se assemelha a uma linha "dente de serra". Além disso, a retomada é muito desigual entre os vários ramos. A perspectiva para 2018 é de aceleração do crescimento com a Selic de 6,75% a.a. e que pode cair mais um pouco se a reforma da previdência avançar e não ocorrer maior turbulência nos mercados financeiros internacionais.

Por IEGV - Instituto de Economia Gastão Vidigal