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Segundo a Pesquisa Mensal Industrial (PMI), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em janeiro, a atividade industrial apresentou queda de 2,4%, em relação a dezembro, livre de influências sazonais, interrompendo uma sequência de quatro meses consecutivos de crescimento.

Esse resultado, contudo, poderia estar fortemente afetado pela mudança do padrão de comportamento sazonal da produção industrial, decorrente de mudanças em sua composição ocorridas após a última crise econômica. Desse modo, dificilmente serviria como indicador da tenência futura do setor.

Nesse sentido, são muito mais adequadas a comparação com o mesmo mês do ano passado e a variação dos últimos 12 meses, isentas do problema anterior. No primeiro caso houve crescimento de 5,7%, configurando a nona alta consecutiva nessa mesma base de comparação, enquanto no segundo a alta alcançou a 2,8%, ante 2,5% registrado na leitura imediatamente anterior (ver tabela abaixo).

Em relação a janeiro de 2017, todas as quatro categorias registraram elevação, especialmente no caso dos bens de consumo duráveis (20,0%), destacando-se os segmentos veículos (27,4%) e informática e eletroeletrônicos (32,0%), com forte elevação da chamada “linha marrom” – televisores, som e vídeo (50,4%). Também houve maior produção de bens de capital (18,3%), principalmente direcionados a transporte (30,7%) e construção (81,4%). Na categoria de semiduráveis houve crescimento menos intenso (3,0%), pautado pelo comportamento do subsetor alimentos e bebidas (3,1%). Finalmente, também houve crescimento dos bens intermediários (4,2%), com destaque para peças de veículos (22,9%).

Em síntese, apesar do “soluço” ocorrido no primeiro mês do ano, a indústria continua sua trajetória de recuperação, impulsionada tanto pelo mercado interno, com os juros no menor patamar desde 1994, como pelo externo, onde continua havendo expansão das exportações de manufaturados e semimanufaturados.

Por IEGV - Instituto de Economia Gastão Vidigal