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De acordo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em fevereiro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que representa o índice de inflação “oficial”, apresentou alta de 0,32%, frente à elevação de 0,29% observada em janeiro. Trata-se da menor alta para o segundo mês do ano registrada desde 2000.

Desse modo, a variação acumulada em 12 meses do mesmo índice, que corresponde aproximadamente ao resultado anual, desacelerou levemente para 2,84%, ante 2,86% anotado na leitura anterior (ver tabela abaixo), ficando ainda mais abaixo do limite inferior da meta de inflação anual (3,0%).

Em fevereiro, o grupo educação, que apresentou aumento de preços de 3,89%, em decorrência do reajuste anual das mensalidades escolares, exerceu o maior impacto no comportamento do índice. Na contramão, os preços de alimentos (IPCA AL.) voltaram a cair (deflação), devido ao aumento da oferta de produtos agrícolas, ainda que este tenha sido inferior ao observado durante o ano passado. Assim, a deflação acumulada em 12 meses perdeu intensidade (-1,37%) em relação a janeiro (-1,49%).

Durante o mesmo mês, o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGPDI), divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), que corresponde a uma medida mais abrangente da inflação, mostrou nova desaceleração, com alta de 0,15%, ante 0,58% observada em janeiro.

Apesar disso, devido à inexpressiva elevação desse índice em janeiro de 2017, o resultado acumulado nos últimos 12 meses perdeu intensidade, embora ainda se mantenha no campo negativo (-0,19%). Tal como o IPCA, o IGP-DI também foi afetado pelos menores efeitos deflacionários da safra de 2018, que, mesmo sendo a segunda maior da história, será inferior ao recorde alcançado em 2017, provocando menores diminuições dos preços das matérias primas agrícolas (IPA-AGRO). Por sua vez, continua havendo descompressão dos preços das matérias primas industriais, devido principalmente à estabilidade cambial.

Em síntese, a inflação medida pelo IPCA, em 12 meses, continua abaixo do limite inferior da meta anual, favorecendo o prognóstico de redução de 0,25% na taxa de juros básica (SELIC) na próxima reunião do Conselho de Política Monetária do Banco Central (COPOM).

Por IEGV - Instituto de Economia Gastão Vidigal