A Transição para o CNPJ Alfanumérico

A partir de  julho de 2026, a Receita Federal implementará o CNPJ alfanumérico, um novo formato de identificação para pessoas jurídicas no Brasil que combinará letras e números. A mudança, formalizada pelas Instruções Normativas RFB nº 2.119/2022 e nº 2.229/2024, é uma resposta direta ao iminente esgotamento das combinações numéricas disponíveis, impulsionado pelo crescimento exponencial no número de empresas, especialmente MEIs e startups. Atualmente, existem mais de 51 milhões de CNPJs ativos. 

Contexto da mudança

O Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) é o identificador único para todas as entidades legais no Brasil, incluindo empresas, ONGs e igrejas. Ele é fundamental para operações como emissão de notas fiscais, abertura de contas bancárias e recolhimento de impostos. 

A estrutura atual, composta por 14 dígitos numéricos, foi suficiente por décadas. No entanto, o crescimento econômico e a formalização de novos negócios, como o aumento expressivo de Microempreendedores Individuais (MEIs) e startups, levaram o sistema à beira do esgotamento. 

Com cerca de 60 milhões de CNPJs já emitidos e um recorde de quase 400 mil novas empresas criadas apenas em julho de 2024, a capacidade de gerar combinações únicas está se esgotando. Para garantir a sustentabilidade do sistema de registro e a continuidade das políticas públicas, a Receita Federal instituiu o CNPJ alfanumérico. 

A inclusão de letras expande exponencialmente o número de combinações possíveis, alinhando o sistema brasileiro às necessidades de um ambiente de negócios cada vez mais digitalizado e dinâmico.

Cronograma de Implementação

Etapa

 Data Prevista

Publicação da Instrução Normativa RFB nº 2.229

 15 de outubro de 2024

Início da vigência da Instrução Normativa

 25 de outubro de 2024

Disponibilização do ambiente de homologação (testes)

 A partir de 06 de abril de 2026

Início da atribuição de CNPJs alfanuméricos (produção)

 A partir de 06 de julho de 2026

 

Estrutura do CNPJ alfanumérico

A nova estrutura mantém o total de 14 posições, mas altera a composição dos seus componentes principais: 

  • Raiz (8 primeiras posições): poderá ser composta por uma combinação de letras (A-Z) e números (0-9).
  • Número de ordem (4 posições seguintes): identifica a matriz ou filial e também poderá ser composto por letras e números.
  • Dígitos verificadores (DV) (2 últimas posições): permanecerão exclusivamente numéricos. A atribuição de letras e números será aleatória, realizada pelo sistema da Receita Federal, sem qualquer conexão com a Unidade da Federação (UF), natureza jurídica ou outro atributo da empresa.

Impactos e ações necessárias para as empresas

Os CNPJs existentes não serão alterados. As empresas com CNPJ numérico não precisam tomar nenhuma ação para atualizar seu número. Mas, novas empresas e filiais, criadas a partir de julho de 2026, novas inscrições, incluindo filiais de empresas com CNPJ numérico, poderão receber o novo formato alfanumérico.

A transição exigirá atenção, principalmente das equipes de tecnologia, contabilidade e administração. Praticamente todos os sistemas que armazenam, processam ou validam CNPJs precisarão de ajustes:

  • Softwares de gestão empresarial (ERPs) e contábeis.
  • Bancos de dados de clientes e fornecedores.
  • Sistemas de emissão de notas fiscais e documentos fiscais eletrônicos.
  • Plataformas de e-commerce e gateways de pagamento.
  • Ferramentas de análise de crédito, scoring e prevenção à fraude.
  • APIs e integrações com parceiros ou órgãos governamentais.

Providências a serem adotadas

  1. Ajuste de Sistemas:  garantir que os campos de CNPJ nos bancos de dados e softwares aceitem caracteres alfabéticos.
  2. Validação do DV: atualizar as rotinas de validação para incorporar o cálculo do Módulo 11 com a conversão de caracteres via tabela ASCII.
  3. Testes e homologação: utilizar o ambiente de testes que será disponibilizado pela Receita Federal do Brasil a partir de abril de 2026 para validar todas as integrações e processos internos.
  4. Capacitação: treinar as equipes responsáveis pelos processos administrativos e fiscais para que compreendam e saibam lidar com o novo formato.
  5. Comunicação com parceiros: manter contato com fornecedores de software, contadores e parceiros de TI para garantir uma transição coordenada.

Consequências da não adaptação

Empresas que não atualizarem seus sistemas a tempo poderão enfrentar interrupções operacionais significativas, incluindo a incapacidade de cadastrar novos clientes ou fornecedores com CNPJ alfanumérico, falhas na emissão de notas fiscais, atrasos em processos administrativos e fiscais e problemas de comunicação e integração de dados com parceiros comerciais.

Perguntas frequentes e esclarecimentos

Haverá algum custo para obter o novo CNPJ?
Não. A inscrição continuará gratuita. Os únicos custos serão internos, relacionados à atualização de sistemas da própria empresa.

O processo de inscrição de uma empresa vai mudar?
Não. O procedimento de inscrição via Redesim (Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios) permanecerá o mesmo.

Uma filial aberta após julho de 2026 terá CNPJ alfanumérico?
Sim. Filiais de empresas com raiz numérica poderão receber um número de ordem (as 4 posições após a barra) alfanumérico.

Será possível negativar uma empresa com CNPJ alfanumérico?
Sim. Os serviços de proteção ao crédito, como o SCPC, estarão preparados para receber dados de negativação de empresas com o novo formato.

A chave PIX vinculada ao CNPJ será afetada?
Não. Empresas com CNPJ numérico mantêm suas chaves. Novas empresas poderão usar seu CNPJ alfanumérico como chave PIX normalmente.

A Receita Federal entrará em contato para falar sobre a mudança?
Não. A Receita Federal não entrará em contato via WhatsApp, e-mail ou SMS para solicitar atualizações ou pagamentos. Qualquer comunicação desse tipo deve ser tratada como golpe.

A mudança facilitará fraudes ou a criação de empresas fantasmas?
Não. A Receita Federal afirma que a mudança visa apenas ampliar a capacidade de numeração e que tem intensificado ações para combater fraudes cadastrais.

Por ACSP - 13/01/2026