Black Friday? Evento pode ganhar novos nomes em 2020

Uma das datas mais aguardadas pelos consumidores e varejistas, a Black Friday pode ganhar uma “nova roupagem”, incluindo novos nomes em 2020. Parte dessa mudança tem sido motivada pelas manifestações contra o racismo que têm ganhado força e colocado o assunto no centro de debates em todo o mundo.

Traduzido para o português, o termo Black Friday significa sexta-feira preta e, por isso, tem levado empresas a repensarem o uso da expressão considerada por elas racista.

Guilherme Gobato, fundador da consultoria em diversidade e inclusão Diálogos Entre Nós, explica que o racismo no Brasil também se manifesta no vocabulário. Prova disso é que, em situações do cotidiano, o uso das palavras preto e negro para desqualificar alguma coisa ainda é comum. “Quando falamos de Black Friday no Brasil, chamamos de ‘preto’ o dia em que produtos são vendidos a um preço menor, inferior”, afirma Gobato.

Primeiras mudanças

Uma das primeiras companhias a deixar o uso da expressão de lado é o Grupo Boticário, que neste ano chamará a data de "Beauty Week". Em uma publicação no LinkedIn, Artur Grynbaum, CEO da empresa,  afirmou que a mudança pode trazer riscos para o negócio, mas diz ser necessário provocar discussões construtivas na sociedade.

Outra empresa que também substituirá o termo é a Imaginarium, que vai utilizar a expressão "Color Friday" neste ano. De acordo com a marca, o uso do nome irá exaltar as cores e trazer leveza em um ano que foi repleto de temores e incertezas.

Origem da Black Friday

A origem do termo Black Friday não é bem definida, mas uma das histórias americanas diz que a expressão era um apelido usado pela polícia da Filadélfia, no início da década de 1990, para o dia seguinte ao feriado de Ação de Graças, que abria temporada de compras de Natal.

À época, muitas empresas relatavam que os funcionários faltavam na sexta-feira após o feriado de Ação Graças, alegando que estavam doentes somente para emendar o feriado com o fim de semana.

Já na área financeira, a palavra "black" assume uma conotação positiva nos Estados Unidos, e é equivalente ao "estar no azul" brasileiro. Ou seja, estar bem financeiramente.

Novos caminhos para a Black Friday: estratégia faz sentido?

Ao que parece, a tendência de adesão a novos nomes para a data deve ser cada vez mais adotada. Para Tâmara Wink, diretora de estratégias da Economídia, esses posicionamentos fazem sentido e devem continuar nos próximos anos por mais empresas.

Na visão da especialista, o comportamento do consumidor está em evolução e isso muda a forma como ele se relaciona com as marcas — cada vez mais informados, conectados e conscientes. "Nada prende o consumidor a uma marca a não ser a identificação, e as marcas não podem se manter passivas. É preciso ter um posicionamento que demonstra no que uma marca acredita, aplica e valoriza", diz.

E você? O que pensa sobre essa novidade? Pretende adotá-la na sua empresa também?


Por ACSP