O Brasil tem a 5ª maior população do planeta e está entre as maiores economias do mundo, mas ainda tem uma participação muito pequena no comércio internacional. Segundo dados divulgados no ano passado pela Organização Mundial do Comércio (OMC), em 2017 o país caiu da 25ª para a 26ª posição entre os maiores exportadores do mundo. Entre os importadores, o país alcançou o 29° lugar.

Diante desse cenário de contrastes, surgem algumas dúvidas: por que o Brasil não tem uma participação maior no mercado global? E, se tivesse, como isso poderia alavancar a economia e trazer melhorias para a sociedade como um todo?

Em busca dessas respostas e para compreender a importância da atividade do Comércio Exterior, conversamos com o Guilherme Fedozzi, gerente da São Paulo Chamber of Commerce, o departamento de comércio exterior da Associação Comercial de São Paulo. Em um bate-papo, ele compartilhou suas visões de mercado e falou sobre o seu trabalho na entidade.

Na ACSP, Fedozzi comanda uma equipe de 10 colaboradores. Entre eles, as funções são bem distribuídas, mas o intuito de todo o time é o mesmo: fomentar negócios entre as empresas paulistas e estrangeiras. Mais do que um trabalho, Guilherme encara o ofício como uma causa que se dedica de defender.

Na vida de Guilherme, a paixão por conhecer novas culturas e pessoas mundo afora começou cedo. Seus pais viajavam muito, e ele sempre estava junto. “Acho que, graças a isso, sempre tive uma facilidade para me relacionar com estrangeiros”, conta Fedozzi.

Aos 17 anos, ele viajou para o México pela primeira vez. E sozinho. O objetivo era fazer um curso de espanhol por lá e ganhar fluência. Alguns anos depois, foi a vez de se aventurar pela Austrália, e a viagem que deveria durar apenas seis meses – também para aperfeiçoar um idioma, o inglês – se transformou em uma experiência mais profunda e só chegou ao fim depois de três anos. No país, ele conheceu o reitor da Universidade de Sidney, e já formado em Relações Internacionais, decidiu fazer mestrado. Conseguiu uma bolsa de estudos na instituição para o curso de Development Studies, ou Estudos de Desenvolvimento. “Nesse período, meus estudos foram direcionados à promoção de desenvolvimento econômico e comercial para fins sociais, o que está intrinsicamente ligado ao Comércio Exterior”, explica Guilherme.

Após a formação, ele voltou ao Brasil e, alguns meses depois, com a bagagem que havia adquirido, ingressou na ACSP como analista. Ao longo de oito anos na entidade, Guilherme se desenvolveu e tornou-se coordenador antes de ocupar a vaga de gerente.

Em tanto tempo, ele acompanhou delegações internacionais, participou do desenvolvimento de muitas ações para fomentar negócios e, principalmente, teve contato com diversos empresários. Isso permitiu que ele conhecesse a fundos receios e anseios dos brasileiros em relação ao comércio estrangeiro; e identificar possíveis obstáculos para a internacionalização das empresas do nosso país.

Ele explica que, ao longo dos anos, o número de empresas brasileiras que fazem comércio com outros países varia muito pouco, e acredita que a falta de crescimento desses negócios se deve, entre outras, a questões mercadológicas e culturais. Guilherme destaca algumas características que fazem parte do perfil de alguns empresários e que representam um obstáculo para a internacionalização das organizações. O primeiro deles é a falta de conhecimento de oportunidades. Muitos empreendedores ainda não têm informações suficientes sobre as possibilidades de crescimento que outros mercados podem trazer à sua empresa, e por isso ficam limitados ao nacional.

“Quando se fala em internacionalização, infelizmente muitas empresas acreditam que só é uma oportunidade interessante quando o mercado brasileiro está desaquecido, há incentivos governamentais ou o câmbio está favorável. No período mais crítico da crise, vimos muitas empresas enfrentarem dificuldades para comercializar seus produtos no Brasil, e então resolveram se abrir ao comércio exterior como uma forma de desovar seus produtos no mercado internacional. Muitos conseguiram bons parceiros e depois de três, quatro anos, perceberam que o mercado nacional aqueceu e romperam contrato com um parceiro internacional. Isso é prejudicial, porque os empreendedores estrangeiros valorizam muito a confiança, querem relacionamentos comerciais sólidos. Quando essa situação acontece, o fornecedor ou comprador brasileiro até fica queimado e a reputação da empresa, prejudicada. Não dá para ser imediatista. Para fazer negócio com o exterior é preciso pensar a longo prazo, de forma sustentável. Nós temos associados que trabalham com o mercado chinês, por exemplo, e têm parcerias de sucesso há 20, 30 anos”, conta.

No departamento de Comércio Exterior, também são mantidos os presentes e condecorações recebidos de delegações estrangeiras.

 

Guilherme também menciona o fato de que muitos empresários “não fazem a lição de casa” antes de internacionalizar o seu negócio, o que gera experiências negativas e, consequentemente, a falta de desejo de importar ou exportar. "Internacionalizar uma empresa não é um trabalho a ser feito do dia para a noite. É preciso avaliar a capacidade exportadora ou importadora da empresa, obter licenças e atender aos requisitos necessários, fazer um bom trabalho de inteligência comercial e prospecção no mercado internacional. Precisa desse investimento. Além disso, é necessário conhecer quais são as condições e exigências daquele país onde você deseja atuar, estudar os diferentes canais de distribuição, avaliar os concorrentes, preços praticados e volumes comercializados, se há barreiras comerciais ou benefícios de acordos preferenciais, encontrar parceiros que entendam do assunto... Enfim, é preciso dar prioridade a um bom planejamento estratégico. Às vezes, eu empresário pensa ‘ah, eu sei falar inglês, vou para fora procurar um parceiro’, mas não se preocupa com outras questões importantes. Aí ele compra passagem, vai com a cara e a coragem pensando em bater na porta de algumas empresas, mas chega lá e não consegue nada, e depois de perder tempo e dinheiro, volta dizendo ‘o comércio exterior não é para mim’. Na verdade, o que faltou foi apenas seguir etapas”, exemplifica Guilherme. “E é isso que a gente busca fazer com que as empresas entendam: que não é um processo difícil, mas que tem etapas que devem ser seguidas” acrescenta. Ele acredita que essa mentalidade e o receio de explorar o mercado internacional vêm mudando, especialmente entre os empreendedores mais jovens, que compõem uma geração com acesso mais facilitado à informação, viajam mais e, portanto, conhecem mais outras culturas e consideram a possibilidade de empreender no exterior. “O perfil [do empreendedor] tem mudado bastante. Hoje, é mais comum encontrar pessoas que já viajaram para diferentes lugares do mundo, e quando elas se tornam empresárias, já começam com uma visão totalmente diferente, mais ampla”, defende o gerente.

A participação do Brasil no comércio internacional gira em torno de apenas 1% – um número alarmante para uma nação com uma economia tão grande. Ampliar esse índice traria consequências extraordinárias para o País, e não apenas a nível econômico. "Isso aumentaria o nosso PIB (Produto Interno Bruto), mas também geraria muitos empregos e melhorias na qualidade de vida da população. Isso é muito positivo. Quanto mais negócios internacionais uma empresa faz, mais chances ela tem de crescer e gerar empregos, e por isso acredito na internacionalização como um fator fundamental para qualquer saída de crise socioeconômica. Por isso, vejo o nosso trabalho, de promoção de comércio internacional e do empreendedorismo internacional, como uma grande responsabilidade”, afirma Guilherme.
Para facilitar o acesso das empresas brasileiras ao mercado internacional, a São Paulo Chamber of Commerce oferece alguns serviços. Os seminários e workshops sempre trazem temas relevantes e visam capacitar os empresários a operarem em diferentes países do mercado internacional. Nas rodadas de negócios, com empresários estrangeiros, os brasileiros têm a oportunidade de conhecer parceiros e expor suas ofertas ou demandas para organizações do exterior.
As missões internacionais representam uma das mais importantes ações de Comércio Exterior realizadas pela ACSP. A entidade leva empresários para mercados externos com uma programação totalmente desenvolvida para gerar negócios e crescimento às empresas brasileiras. Existem as missões voltadas para fazer negócios e as de conhecimento. Nestas, os empreendedores também podem encontrar parceiros comerciais, mas o objetivo principal é estimular o contato dos brasileiros com o mercado internacional para entender como ele funciona, identificar o que é tendência em outros países e trazer inspiração para a implantação de inovações na própria empresa.

Além disso, o Comércio Exterior da ACSP emite Certificados de Origem a empresas de todo o estado de São Paulo por meio da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo, a FACESP. Esse documento é providenciado pela empresa exportadora e utilizado pela importadora para comprovar origem de mercadorias em transações internacionais, e permite a redução ou até mesmo isenção de tarifas de importação.
O COMEX é responsável pela execução desses serviços e, ainda, na promoção das relações internacionais da própria ACSP, relacionando-se com os governos municipais, estaduais, federais e até internacionais a fim de lutar por alterações de entraves que sejam prejudiciais ao empreendedorismo internacional e ao comércio exterior brasileiro.

O que você acha desse trabalho? Já pensou em fazer negócios em outros países e ter a oportunidade de conhecer novas culturas e ampliar a sua empresa? Guilherme defende que, com o passar do tempo, a necessidade de saber mais sobre novos mercados e estar antenado às tendências e hábitos de consumo globais será cada vez maior. “O empreendedor precisa entender que, se ele não estiver preparado para se tornar um competidor internacional, em algum momento a sua empresa pode ser engolida por uma de fora. Por mais que o empresário não queira importar ou exportar, é importante que ele pelo menos esteja atento às tendências internacionais para manter suas ofertas atrativas”, ele afirma.
Gostou de conhecer o Guilherme e o trabalho de Comércio Exterior da Associação Comercial de São Paulo? Você pode ficar por dentro de todos os eventos e atividades organizados por ele e sua equipe para ajudar a sua empresa a fazer negócios sem fronteiras! Clique aqui e confira!

 

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Por ACSP