
O Comitê de Avaliação da Conjuntura, do Instituto de Economia da ACSP, realizou, no dia 31 de julho, a quinta reunião do ano, com as participações de Solange Srour, diretora de macroeconomia para o Brasil da USB Global Wealth Management, e Luciano Telo, executivo-chefe de investimentos (CIO) para o Brasil, da mesma instituição. Na palestra "Cenário Macroeconômico e Perspectivas de Investimentos em 2025" eles mostraram os números e cenários da economia brasileira e internacional.
Além dos convidados, participaram da mesa o economista-chefe do Instituto de Economia Gastão Vidigal, Marcel Solimeo, e o coordenador do comitê, Edy Luiz Kogut, que apresentou os palestrantes e fez a mediação. A reunião ocorreu sob o impacto do decreto das tarifas de 50% impostas aos produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos. O tema abriu a exposição da economista Solange Srour.
Desglobalização
Para a Srour, a guerra tarifária de Trump é resultado de um novo momento geopolítico no mundo. “Estamos vivendo um cenário diferente daquele do mundo globalizado que existia até alguns anos atrás. O mundo está mais dividido, estamos iniciando uma nova era da geoeconomia”. Um novo momento que, segundo ela, utiliza instrumentos econômicos como ferramentas de poder, com sanções, controles de exportação e subsídios industriais. “Os Estados Unidos querem enfrentar o crescimento da China com políticas mais agressivas e o fortalecimento da sua economia e do dólar”.
Por outro lado, a palestrante salientou que a China também tem imposto restrições às exportações e mantém o controle sobre recursos estratégicos essenciais para a fabricação de produtos tecnológicos. “A China tem uma alta taxa de poupança, o que faz com que o mercado consumidor, apesar da população gigantesca, não se consolide”.
Já a Europa tem procurado reagir ao novo cenário por meio de um plano de fortalecimento que inclui investimentos militares que compensem a perda dos Estados Unidos como o principal financiador da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Tarifaço
Em relação ao Brasil, Srour afirma que a economia brasileira pode ser afetada por conta das mudanças e da política agressiva de Trump, mas, por conta da exclusão da lista do tarifaço de vários itens de exportação, o impacto não deve ser maior do que 0,15% do PIB. Ela acredita que o problema maior é a questão fiscal, que pode afugentar investidores, piorar o cenário inflacionário e cambial daqui em diante.
Mercados
O executivo-chefe da UBS, Luciano Telo, foi o responsável pela segunda palestra do evento e mostrou dados sobre o mercado de investimentos e como têm se comportado as Bolsas de Valores no Brasil e nos Estados Unidos. O economista fez também uma avaliação do mercado de câmbio, mostrando como o dólar vem se fortalecendo.
Telo explica que, em 2025, no mercado de câmbio internacional, moedas alternativas vêm ganhando cerca de 9% em relação ao dólar. Porém, desde o início de julho, a moeda americana vem retomando seu lugar no comércio internacional. “Até o final do ano, o dólar pode ainda perder valor, mas os Estados Unidos sempre surpreendem com bons resultados na economia”.
Tarifaço
O impacto das tarifas sobre as exportações brasileiras ainda não mudou o quadro e o Real continua perdendo pouco em relação ao dólar, como pontuou Telo. “Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China. Em 2024, exportamos US$ 40,3 bilhões para os EUA (12% do total) e importamos US$ 40,6 bilhões (15,5%)”. Para ele, cerca de 40% das exportações são commodities, que poderiam ser redirecionadas, mas setores como o de aeronaves, que já está fora do tarifaço, seriam mais afetados por não terem alternativas imediatas”.
Em relação ao mercado internacional, o palestrante apontou que a bolsa americana e a maioria das bolsas do mundo vêm obtendo bons resultados, ao contrário da bolsa brasileira, que vem se descolando das internacionais com resultados piores. De qualquer forma, ele ainda pontua que “os juros reais e pré-fixados devem cair, no Brasil, nos próximos meses”.
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Por ACSP - 31/07/2025