Muita gente enxerga a prática de atividades físicas como um caminho para conseguir o corpo perfeito. Rafael Arantes, proprietário da rede Acqua Academia, na Mooca, defende que abandonar o sedentarismo é a chave para alcançar resultados ainda mais importantes, como saúde mental. E parece que esse posicionamento tem contribuído para o desenvolvimento dos negócios.

Oportunidade inesperada

Rafael nunca planejou empreender no setor fitness. Formou-se em Direito e foi aprovado no Exame de Ordem da OAB, mas não exerceu a profissão. “Na época da formação, a minha mãe enfrentava um estágio terminal de câncer, e eu decidi abdicar de tudo para ficar ao lado dela”, conta o empresário.

Pouco tempo depois, uma oportunidade surgiu para o seu irmão. “Em 2002, ele estava cursando Educação Física. Um amigo do meu pai contou que uma academia na Mooca estava à venda, mas meio mal das pernas. Eu tinha experiência com empresas, porque já havia administrado um estacionamento e um lava jato, então meu pai pediu para que eu fosse avaliar o negócio”, relembra Rafael. “Comecei a analisar os números, verificar a viabilidade comercial e fui ficando. Consegui ajustar as contas e, em 2014, comprei a parte do meu irmão e fiquei com a academia”, comenta.

Expandir para sobreviver

O empenho de Rafael à frente da empresa trouxe excelentes resultados. Em 2005, a primeira unidade da Acqua Academia, que oferecia atividades de musculação e natação, já estava lotada. “Naquela época, o mercado pedia um produto com ticket médio mais alto, havia um público disposto a pagar mais para fazer academia. Então, nós abrimos mais uma unidade, também na Mooca, chamada Acqua VIP”, explica. “Naquele tempo, a mensalidade da primeira unidade custava em torno de 60 reais e, da segunda, 149 reais. Era um modelo bem mais caro, mas fez sucesso”, ele conta.

Alguns anos se passaram e a economia do Brasil passou por uma recessão. Para se adequar a esse momento e aos novos hábitos de consumo, o mercado de academias precisou rever suas estratégias: entre 2010 e 2011, cresceram as opções de baixo custo, também conhecidas como low-price. “A precificação na mente dos consumidores passou a mudar, e o modelo de negócio da Acqua VIP começou a enfrentar dificuldades. Eu percebi que não dava para brigar com as low-price, então, em 2015, montei uma unidade nessa categoria, trazendo valores mais acessíveis. A partir daí, fiquei com três unidades: a primeira, de modelo tradicional, a Acqua VIP, com ticket médio mais alto, e a Acqua FIT, low-price”, explica o proprietário.

E a expansão não parou por aí. A quarta unidade surgiu em 2017, quando a Skin Diver, uma das mais tradicionais academias da Mooca, também estava passando por dificuldades financeiras e prestes a fechar as portas. “O proprietário me procurou e fez uma oferta, e a gente realmente estava precisando de mais espaço. A piscina da Acqua estava lotada, já tínhamos até fila de espera, e a Skin oferecia musculação e piscina. Eu vi que se eu fechasse a musculação e ficasse só com a piscina, o negócio se tornaria viável, e foi o que eu fiz”, conta o empreendedor. “Hoje, a unidade representa o segundo maior faturamento da rede”, acrescenta.

Rafael defende que a abertura das novas unidades foi necessária para a sobrevivência da Acqua no mercado. “Hoje, é interessante administrar esses modelos diferentes, lidar com pessoas diferentes. Eu percebi que não precisava mudar a minha característica para ir ao encontro do cliente, mas que, com várias unidades, eu poderia me moldar com muito mais facilidade. Acredito que por isso a gente tem conseguido manter a empresa de maneira saudável, mesmo em uma época em que tantas academias estão fechando e tanta gente reclama de crise”, defende Rafael. “Aliás, é isso que quebra qualquer empresa: não saber identificar as necessidades do mercado para perceber que ele muda e que é preciso se adaptar a realidades diferentes”, conclui.

Bem-estar: uma oferta complexa

Durante a entrevista, em uma de suas unidades, Rafael cumprimenta e conversa com um dos alunos que chega para treinar. Para o empresário, não existe receita para manter um bom relacionamento com os clientes, mas ele destaca uma característica que, em sua visão, todo empreendedor precisa ter: a habilidade de “ler” o público. “Não basta ouvir as reclamações e sugestões do pessoal. É preciso entender o que eles realmente desejam, o que há por trás do que eles dizem”, afirma. “A maioria dos clientes que chegam à academia, por exemplo, diz que se sente mal porque está acima do peso e quer emagrecer. Mas, às vezes, o que incomoda essas pessoas nem é a barriguinha. O que elas querem é conhecer novos amigos, se sentirem felizes consigo mesmas. Ter saúde é muito mais do que não ter uma barriga. É estar bem física, mental e socialmente. E é isso que eu busco levar para os meus alunos todos os dias”, afirma. “Eu sempre procuro investir em melhorias para eles, mas minha maior preocupação é fazer com que as minhas academias sejam ambientes agradáveis, onde todos possam se respeitar e se sentir bem”, explica.

Obstáculos diários

Como todo empreendedor, Rafael tem uma rotina bastante atarefada. Cuidar de todas as academias fica mais fácil graças ao apoio de mais de 100 funcionários e o uso da tecnologia. Em seu escritório, ele monitora imagens das câmeras de todas as unidades, mantém aplicativos de gestão no celular e planilhas on-line, para acompanhar cada novidade em tempo real. Mas, apesar da organização na empresa, ele admite a necessidade de administrar melhor as atividades do seu dia a dia, principalmente para conseguir passar mais tempo com as duas filhas, de 8 e 11 anos. “O meu propósito é trabalhar pela minha família, mas estou perdendo momentos com ela justamente por conta do excesso de trabalho. É uma loucura. Estou falhando nisso, é uma questão que eu sei que preciso melhorar”, confessa.

Além da falta de tempo, problemas como burocracia excessiva e alta carga tributária – também comuns na vida dos empreendedores – são pontos que, para Rafael, impedem que a sua empresa cresça ainda mais. “Infelizmente, o Estado, que deveria apoiar o empreendedor e incentivar a geração de empregos, é quem freia o nosso crescimento”, ele afirma. “Hoje, os empresários passam tanto tempo envolvidos com obrigações fiscais burocracia que às vezes não dá para parar e fazer o principal, que é aprimorar próprio negócio”, ele lamenta.

Na ACSP, Rafael encontra apoio de outros empreendedores e, sempre que pode, participa das atividades promovidas pela instituição. “A Associação Comercial nos oferece a oportunidade de conhecer gente, fazer parcerias e potencializar os nossos negócios. Você conversa com pessoas que enfrentam as mesmas dificuldades que você, e isso nos fortalece. Nas distritais, esse networking, atividades de treinamento e capacitação são importantíssimos para desenvolver os comércios locais”, afirma. “Além disso, por ser uma força suprapartidária, a Associação tem um papel fundamental na promoção de mudanças necessárias para a nossa sociedade. Fazer parte de tudo isso é muito interessante”, conclui Rafael.

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Sobre o negócio

Acqua Academia

Site: acquaacademia.com.br

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Por ACSP