Varejo Cresce Forte em 2024, Mas com Estagnação na Margem
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em dezembro, as vendas do varejo restrito (que não incluem veículos, material de construção e “atacarejo”) registraram queda de 0,1%, em termos mensais, livre de efeitos sazonais, em linha com as expectativas de mercado (+0,0%). Na comparação com o mesmo mês do ano passado, houve expansão de 2,0%, e, no ano de 2024, o crescimento alcançou a 4,7% (ver tabela abaixo), coincidindo quase exatamente com nossa projeção (ver gráfico na página seguinte). O resultado anual foi o maior desde 2012 (+8,4%). As vendas do varejo ampliado (que inclui todos os segmentos) apresentaram queda maior do que a esperada na comparação mensal dessazonalizada (-1,1%) e aumento anual de 4,1%.
Na comparação interanual, quatro segmentos do varejo restrito mostraram aumento das vendas, enquanto quatro outros setores apresentaram contração. No campo positivo, estiveram móveis e eletrodomésticos, outros artigos de uso pessoal e doméstico, artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria e tecidos, vestuário e calçados. As quedas registradas corresponderam a hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, combustíveis e lubrificantes, equipamentos e material para escritório, informática e comunicação e livros, jornais, revistas e papelaria. No varejo ampliado, veículos e material de construção apresentaram aumento no volume comercializado, contribuindo, principalmente no primeiro caso, para o crescimento das vendas, enquanto o “atacarejo” apresentou contração, representando a maior contribuição negativa.
O forte desempenho do varejo em 2024 se explica pelos aumentos de renda e emprego provenientes do mercado de trabalho aquecido, das maiores transferências de renda, e do crescimento do crédito. Em termos comparativos, o crescimento das vendas foi relativamente maior no primeiro semestre, pois a partir do segundo, houve “perda de fôlego”, ocasionada pela diminuição da concessão de crédito à pessoa física. Nesse sentido, o resultado de dezembro representaria, na margem, uma estagnação.
A perspectiva para 2025 é de menor crescimento das vendas do varejo, provocada pela desaceleração da renda e do emprego, que decorreria dos altos níveis da taxa básica de juros, num contexto de alto grau de endividamento das famílias. Todo esse cenário tem contribuído para diminuir a confiança do consumidor, cujas compras tenderão a se concentrar em itens básicos, tais como artigos farmacêuticos e supermercado.

Por IEGV - Instituto de Economia Gastão Vidigal - 17/02/2025