Indústria Mostra Forte Contração em Dezembro, Mantendo Tendência de Desaceleração
A Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelou uma queda na produção industrial, em dezembro, de 1,2%, em relação a novembro, e um aumento de 0,4% na comparação com o mesmo mês do ano anterior, com um dia útil a mais. O setor industrial terminou 2025 com uma expansão de 0,6%, com crescimento de 4,9% da indústria extrativa, e queda de 0,2% da indústria de transformação. Esses resultados vieram abaixo das expectativas do mercado.
A produção industrial segue “perdendo fôlego”, refletindo os efeitos negativos da alta da taxa SELIC, e, em escala menor do “tarifaço” norte-americano.
Três das quatro categorias de uso mostraram resultados negativos, na comparação com dezembro de 2024, com a produção de bens duráveis, de capital e intermediários mostrando quedas de 3,5%, 7,5% e 0,9%, respectivamente. O único aumento registrado ocorreu no caso dos bens semiduráveis e não duráveis (5,0%), cuja demanda depende mais da renda e menos da taxa de juros, ao contrário das categorias anteriores.
Em síntese, a indústria, em dezembro, surpreendeu negativamente e seguiu perdendo ritmo. Os bens de capital (que dependem de crédito e das expectativas futuras) registraram forte sinal negativo, na comparação anual. O mesmo se pode dizer quanto aos bens duráveis, que, além dos juros elevados, apresentam alta na inadimplência. O desemprego baixo e o crescimento da renda impulsionaram os semiduráveis e não duráveis. Alguns itens de exportação ainda refletiram o aumento das tarifas dos Estados Unidos.
A perspectiva para 2026 é de desaceleração da atividade industrial, com diminuição gradual da SELIC, unida a um cenário de alto endividamento dos consumidores e de arrefecimento da geração de renda e emprego.

Por IEGV - Instituto de Economia Gastão Vidigal - 04/02/2026