As vendas pela internet não param de crescer no Brasil - e as empresas estão se movimentando para garantir seu espaço no meio virtual. Segundo a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (Abcomm), a média de abertura de lojas na internet no país é de 10 mil estabelecimentos por mês. Desde o início do isolamento social imposto pelo novo coronavírus, em março, o fenômeno se intensificou: de lá para cá, o Brasil  abriu mais de uma loja virtual por minuto. Em pouco mais de dois meses, foram 107 mil novos estabelecimentos criados na internet. Os setores que lideraram o ranking de novos sites na internet foram moda, alimentos e serviços.

Mas, ao contrário do que muitos pensam, esse aumento expressivo não indica que abrir um comércio virtual é uma tarefa simples. Para tirar a ideia do papel e conseguir bons resultados, é preciso que a empresa tenha uma estrutura adequada para fazer as encomendas dos pedidos, entregar com agilidade e efetuar o pós-venda.

Em outras palavras, os processos internos precisam estar bem adaptados para essa novidade. Mas, uma coisa é certa: as vantagens para o negócio são compensadoras. A seguir, reunimos as principais orientações para quem deseja ter uma própria loja virtual. Confira:

1 -  Planejamento e gestão

Para que uma loja virtual tenha sucesso, além de oferecer um produto ou serviço de qualidade, é preciso manter uma boa rentabilidade unindo bom planejamento e gestão eficiente. No seu projeto de negócio, considere as necessidades do seu público, avalie o que a concorrência já oferece e os desafios que enfrentam. Depois, defina o posicionamento do seu negócio: quais serão os seus diferenciais? Quais riscos você precisará encarar ao optar por esse modelo?

2 - Contabilidade

Assim como em uma loja física, para abrir um comércio virtual é fundamental estar com as questões contábeis em dia: fazer a classificação fiscal correta do seu negócio e adotar o regime de tributação mais adequado para a sua empresa após a mudança são alguns dos pontos que merecem atenção. Se não entender do assunto, consulte um contador.

 

3 - Escolha da plataforma

O terceiro passo é escolher a plataforma ideal para a sua loja virtual do papel. Durante a pesquisa, avalie os benefícios e particularidades de cada uma para tomar a melhor decisão.

Na Associação Comercial de São Paulo, por exemplo, os empresários associados podem aproveitar usar a Vitrine de Vantagens. Na plataforma, eles expõem seus produtos e serviços gratuitamente e oferecem vantagens exclusivas para outros associados. Assim, quem anuncia ganha visibilidade sem precisar se preocupar com a criação de uma loja virtual e quem compra tem a segurança de fazer negócio com membros da mesma comunidade. Para acessar a Vitrine e ver os serviços que já estão disponíveis por lá, clique aqui.

4 - Conteúdos

Tudo o que o público verá ao entrar na sua loja virtual é classificado como conteúdo. Os conteúdos sobre os produtos, como descrições dos itens, especificações técnicas e valores de compra precisam estar bem escritos e sempre atualizados.

Além disso, é possível agregar informações relevantes na descrição de um produto e impulsionar as vendas dizendo, por exemplo, para que uma peça roupa serve e com quais outras peças ela combina. Isso se relaciona com o trabalho de Marketing Digital em diversas frentes, como buscas orgânicas (SEO), marketing de conteúdo, mídias sociais e relacionamento com clientes. Tudo isso ajuda a vender seus produtos e serviços. 

5 - Segurança do site

Quem tem uma loja virtual precisa mostrar ao cliente que sua loja é séria e estar preparado para usuários que aplicam golpes ou tentam hackear seu site. Para o consumidor, é possível adquirir alguns selos que garantem a segurança de uma loja virtual. O SSL, por exemplo, é um cadeado que aparece no momento de inserir os dados de compra e mostra que as informações do cliente serão criptografadas.

Para o empreendedor, é possível contratar ferramentas antifraude ou ter uma equipe dedicada ao tema. Blindagem do site, contratação de um software de probabilidade de compra fraudulenta e investimento em meios de pagamento terceirizados são alguns dos procedimentos adotados.

6 - Marketing Digital

O objetivo do Marketing Digital é promover ações para que o cliente chegue à sua loja virtual e não saia sem ter adquirido algum produto ou serviço. O marketing de uma loja virtual passa por três etapas: aquisição (que visa levar o cliente à sua loja), conversão (que transforma o usuário em cliente) e retenção (que mantém o usuário ativo na loja virtual, fazendo novas compras).

Para isso, é possível investir em estratégias sociais (contratação de assessoria de imprensa e relacionamento com influenciadores, por exemplo); mídias pagas (e-mail marketing e links patrocinados, por exemplo); e SEO (mecanismo de otimização de buscas, para que o cliente chegue ao site de forma orgânica).

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7 - Integração de operações

Ao abrir uma loja virtual, é preciso integrar o comércio eletrônico a sistemas responsáveis por controle financeiro, emissão de notas fiscais e gestão de estoque, por exemplo. Esses recursos facilitam o planejamento das transações e torna a operação mais fluida.

Nesses casos, é recomendável usar um sistema de gestão empresarial (ERP), que pode ser integrado a meios de pagamento, marketplaces, operadores logísticos, sistemas de atendimento ao cliente e fiscais, por exemplo. Existem opções com baixo investimento, e, quanto antes houver a integração entre backoffice e plataforma, mais fácil será se acostumar com o controle administrativo facilitado do seu negócio.

8 - Questões jurídicas

Ter um acompanhamento jurídico na hora de abrir e gerenciar uma loja virtual também é importante. Mesmo assim, há algumas normas que o empreendedor deve conhecer de antemão, como as regras de devoluções e trocas estabelecidas no Código de Defesa do Consumidor. Em um prazo de sete dias após o recebimento do produto, o cliente pode desistir da compra, por exemplo. A loja deve aceitar a devolução e cobrir os custos, enquanto o consumidor tem o dever de entregar o produto em condições para uma nova comercialização.

O empreendedor também deve cumprir algumas obrigações determinadas na legislação básica sobre o e-commerce e incluir algumas informações no site: contratos de compra, endereços eletrônicos e físicos, explicação de segurança das informações, identificação completa do fornecedor e regras para estornos.

9 - Logística

Para que tudo funcione quando o seu cliente fizer um pedido, é preciso ficar atento ao  fluxo logístico da loja virtual. Alguns passos são: entrada do pedido, análise de dados cadastrais e de compra, validação do pagamento, retirada do pedido no estoque, embalagem, conferência dos dados de compra com o produto retirado do estoque, retirada pela transportadora e entrega do pedido.

Em meio a esse processo, são necessárias algumas decisões: você usará os Correios ou optará por uma frota própria? Quem será o responsável pelos procedimentos de entrega do produto e o pós-venda?

10 - Funcionários

Para ter uma loja virtual própria, o empreendedor precisa conhecer ou contratar funcionários especializados em áreas como atendimento, análise de dados, logística, vendas e tecnologia da informação. A sua empresa já possui essa mão de obra ou ela deve representar um gasto extra? Não se esqueça de levar esse fator em consideração.

Agora que você entende um pouco mais sobre as etapas de planejamento para colocar uma loja virtual em funcionamento, está mais preparado para começar a vender pela internet. Quer aprender mais? Leia este conteúdo sobre marketplaces, outra solução que pode ser interessante para levar o seu comércio ao ambiente virtual.


Por ACSP